Um estudo recente trouxe à tona a possibilidade de que o DNA encontrado em uma obra de arte possa pertencer a Leonardo da Vinci. Esse tipo de grupo genético é frequentemente encontrado em regiões do Mediterrâneo, como a Toscana, onde o artista nasceu. No entanto, os pesquisadores que conduziram a análise destacam que suas conclusões têm limitações. Os perfis de DNA isolados são propensos a contaminações modernas e podem também incluir contribuições de pessoas que manusearam a obra ao longo dos anos, o que dificulta chegar a uma conclusão definitiva.
Há um debate entre especialistas sobre a verdadeira autoria da obra, intitulada “Holy Child”. Alguns acreditam que ela pode ter sido criada por um aluno de da Vinci, e não pelo próprio mestre. Isso gera incertezas sobre a validade do DNA, aumentando a necessidade de cautela ao interpretar os resultados.
O geneticista Charlie Lee, do Jackson Laboratory for Genomic Medicine, resumiu a situação ao afirmar que a chance de o DNA realmente pertencer a Leonardo é comparável a “jogar uma moeda para o alto”. Ele ressaltou que o material genético encontrado poderia ter vindo de alunos, restauradores ou curadores que tocaram na obra, em vez do próprio artista.
A dificuldade em confirmar a identidade genética de Leonardo se deve também à destruição parcial de seu túmulo na França durante a Revolução Francesa. Os restos mortais de da Vinci foram misturados com outros ossos, e ele não teve filhos conhecidos, o que impede comparações diretas. Os pesquisadores apontam ainda que a coleta de DNA na superfície das obras é extremamente delicada e suscetível a contaminações, o que limita a precisão das análises realizadas.
Esses fatores indicam que, embora as técnicas de extração de DNA estejam se mostrando promissoras, ainda não são suficientes para garantir uma identificação clara e definitiva do famoso artista renascentista.