09/02/2026
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UBSs oferecem terapia para grupos de luto em SP

Grupo de Apoio ao Luto Oferece Conforto e Reflexão na Zona Oeste de São Paulo

Wellington Barreto dos Santos, de 25 anos, compartilhou uma forma especial de expressar seus sentimentos. Ele escolheu a música “Girassol”, de Priscilla Alcântara e Whindersson Nunes, para comunicar à psicóloga Pamella Becegati, de 31, o desejo de se reencontrar e encontrar felicidade novamente.

Pamella lidera um grupo de apoio ao luto na UBS Jardim Colombo, localizada na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo. Durante as sessões, ela incentiva os participantes a explorarem suas emoções por meio da música. Em uma das reuniões de dezembro, foi possível acompanhar como essa abordagem pode ser transformadora.

Wellington se juntou ao grupo há cerca de quatro meses, após sofrer com a perda de duas tias e um amigo. Ele relembrou a dor de perder uma das tias há cinco anos, mencionando que a relação deles era cheia de amor e planos de viagem. “Levo o retrato dela em todas as viagens”, dissertou. A outra tia faleceu em circunstâncias trágicas, e a morte de seu amigo em um acidente inesperado também deixou marcas profundas.

“Eu sofria em silêncio. Nem meus pais sabiam o que estava acontecendo. Ficava trancado no quarto”, contou Wellington. No grupo, ele encontrou um espaço seguro para compartilhar suas experiências e começou a reviver as memórias desses entes queridos sem o medo de novas crises de ansiedade.

Pamella explica que a música pode ser um disparador para reflexões importantes. Ela convida os participantes a se perguntarem sobre o que a canção traz à memória e quais sentimentos emergem.

O luto é uma resposta natural a perdas significativas e pode afetar a vida cotidiana dos indivíduos, levando à solidão e a dificuldades em realizar atividades normais. Em 2022, o Ministério da Saúde passou a classificar o luto prolongado como um transtorno mental, reconhecendo a necessidade de atenção psicológica para quem enfrenta essa situação.

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo disponibiliza acompanhamento psicológico para aqueles em luto nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O suporte pode ser oferecido de forma individual ou em grupos, com a presença de uma equipe multiprofissional, incluindo assistentes sociais que ajudam a direcionar os participantes para outros serviços se necessário.

Massumi Hirota Tunkus, de 65 anos, encontrou no grupo um espaço para viver seu processo de luto, que não havia conseguido enfrentar nos últimos 18 anos desde a morte do marido. “Eu estava estagnada, precisava de apoio”, afirmou, ressaltando a importância da conexão entre os participantes.

Solange Maria de Assunção Modesto, de 61 anos, fala sobre a dor da perda de sua irmã, que faleceu após um transplante de medula óssea. “Sinto como se um pedaço de mim tivesse partido”, disse Solange, destacando que a troca de experiências no grupo ajuda na sua recuperação emocional.

Uma dinâmica interessante proposta por Pamella envolveu o uso de pinhas de eucalipto, que os participantes seguravam durante a sessão. Essa atividade tinha como objetivo refletir sobre como cada um se sentia internamente e o que gostariam de mudar nas suas vidas, promovendo discussões sobre liberdade e paz.

Maria Neuza Ferreira da Silva, de 71 anos, também compartilhou suas dificuldades após perder o marido para a leucemia. Sua filha, Leirilene, mencionou que a situação da mãe piorou após outras perdas na família. “Depois de três meses no grupo, ela começou a melhorar, voltou a se alimentar e interagir”, disse Leirilene, agradecendo ao apoio que receberam.

As reuniões do grupo de apoio ocorrem todas as segundas-feiras, às 16h, na UBS Jardim Colombo, com duração de 50 minutos e participação de cerca de dez pessoas. Pamella explica que o objetivo é promover a conexão entre os participantes e permitir que cada um possa expressar e elaborar seu luto. Ela utiliza diversas dinâmicas, incluindo músicas, cartas e plantio de feijões, para facilitar esse processo.

Pamella também sugere o uso de diários como uma forma de expressão emocional. “Os participantes podem escrever o que gostariam de ter dito a quem se foi, ou relatar a dificuldade de viver sem a presença dessa pessoa”, completou a psicóloga.

Essas iniciativas mostram a importância da empatia e do apoio emocional em momentos difíceis, proporcionando um espaço seguro para quem lida com a dor da perda.

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