19/03/2026
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UBSs disponibilizam terapia em grupo para enlutados em SP

O jovem Wellington Barreto dos Santos, de 25 anos, escolheu a canção “Girassol”, de Priscilla Alcântara e Whindersson Nunes, para expressar à psicóloga Pamella Becegati, de 31 anos, seu desejo de reencontrar a felicidade. Este momento ocorreu em um grupo de apoio ao luto que Pamella coordena na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Colombo, localizada na zona oeste de São Paulo.

Wellington decidiu participar do grupo após enfrentar uma grave crise de ansiedade, desencadeada pela perda de duas tias e de um amigo. Ele ingressou na iniciativa há aproximadamente quatro meses. “Uma das tias eu perdi há cinco anos. Tínhamos um relacionamento próximo e sonhávamos em viajar juntos. Sempre levo uma foto dela comigo nas minhas viagens. A outra tia eu encontrei morta em casa. Foi como arrancar um pedaço do meu coração. Meu amigo morreu em um acidente, era cheio de vida e sonhos”, desabafa.

Por um longo período, Wellington enfrentou esse sofrimento sozinho, sem compartilhar suas emoções com a família. “Sofri calado, não contei nem aos meus pais. Ficava isolado no quarto. Aqui no grupo, encontrei carinho e consegui ver a vida novamente. Agora consigo recordar os momentos que tive com essas pessoas sem medo das crises de ansiedade”, relata.

A psicóloga Pamella explica que a música é uma ferramenta poderosa de reflexão. Ela propõe que os participantes considerem suas memórias e sentimentos a partir das canções escolhidas. O luto é um processo complexo que envolve reações emocionais, físicas e sociais diante de uma perda significativa. Muitas vezes, essa dor pode dificultar o retorno às atividades cotidianas e promover o isolamento social. Em 2022, o Ministério da Saúde já reconheceu o luto prolongado como um transtorno mental.

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo oferece apoio psicológico para aqueles que estão passando por um período de luto. O atendimento pode ser feito em grupos ou de forma individual, dependendo da gravidade do caso, com uma equipe de profissionais que inclui assistentes sociais.

Massumi Hirota Tunkus, de 65 anos, compartilha sua experiência. Desde a morte do marido, há 18 anos, ela não conseguiu processar a dor da perda. A responsabilidade com os filhos e a mãe, que sofreu um AVC, a impediram de enfrentar seus sentimentos. Ela se juntou ao grupo há três meses e encontrou apoio. “Aqui ninguém me recrimina. Estamos todos no mesmo barco”, afirma.

Solange Maria de Assunção Modesto, de 61 anos, ainda lida com a dor pela perda da irmã, que faleceu após um transplante de medula óssea. “É como se tivesse partido um pedaço de mim. As trocas de experiências no grupo me fortalecem”, diz. Durante as reuniões, os participantes também realizam atividades, como refletir segurando pinhas de eucalipto, que simbolizam a reflexão interna sobre a dor e os sentimentos.

Maria Neuza Ferreira da Silva, de 71 anos, enfrentou a morte do marido por leucemia e desenvolveu depressão. Sua filha, Leirilene Ferreira da Silva, de 50 anos, observa que a participação no grupo de apoio ajudou Maria a melhorar, permitindo que ela retomasse atividades cotidianas.

As reuniões do grupo na UBS Jardim Colombo ocorrem às segundas-feiras, com duração de 50 minutos. Com cerca de dez participantes, o objetivo é promover a conexão entre eles e dar espaço para que falem sobre seus lutos. Pamella utiliza dinâmicas variadas, como músicas, cartas e plantio de feijões, para auxiliar os participantes em sua jornada de cura.

Além disso, a psicóloga incentiva o uso de diários, onde cada um pode escrever mensagens que gostaria de ter compartilhado com aqueles que partiram. Essa forma de expressão emocional é uma etapa importante para lidar com a perda.

O projeto conta com o apoio de uma associação civil dedicada à promoção da saúde.

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