O envelhecimento é uma fase natural da vida que traz diversas mudanças ao organismo. No Brasil, a partir dos 60 anos, as pessoas são consideradas idosas de acordo com o Estatuto da Pessoa Idosa, que busca assegurar direitos e dignidade aos mais velhos. É um período em que a saúde requer atenção especial, tanto por questões naturais quanto por condições que podem surgir.
As síndromes geriátricas são um dos principais desafios enfrentados por essa faixa etária. Elas exigem acompanhamento médico regular para garantir a qualidade de vida dos idosos. De acordo com o geriatra Sérgio Murilo, do Hospital Jayme da Fonte, esses problemas não se limitam apenas a doenças de órgãos específicos. Muitas vezes, as fragilidades da saúde do idoso afetam sua força e resistência de forma geral.
Sérgio Murilo explica que as síndromes geriátricas são condições que podem dificultar as atividades do dia a dia dos idosos, mas não devem ser vistas como algo inevitável da idade. Ele enfatiza que, em consultas médicas, muitas vezes os idosos não percebem que estão passando por dificuldades e que é papel do médico fazer perguntas cuidadosas para identificar problemas.
Quando um idoso apresenta condições de saúde, o geriatra pode optar por um tratamento multidisciplinar ou usar medicamentos. Importante observar, segundo Murilo, é que as circunstâncias de vida do idoso podem afetar o diagnóstico. Identificar problemas precocemente aumenta as chances de reversão da situação.
Um exemplo frequentemente esquecido é a perda de peso não explicada. Se o médico focar apenas nessa questão de maneira tradicional, pode não encontrar a causa real. Muitas vezes, a situação se dá porque o idoso não tem comida em casa. Seria comum descobrir que uma pessoa está alimentando-se de biscoitos ou mesmo que almoça apenas uma colher de leite condensado. Nesses casos, é importante que o geriatra comunique-se com a família para entender melhor a situação e oferecer um cuidado mais completo ao paciente.
Para manter uma boa saúde e evitar problemas, a orientação é que os idosos mantenham uma vida social ativa e pratiquem exercícios físicos regularmente. Murilo acrescenta que um bom nível de escolaridade é benéfico, pois a educação desde a infância pode prevenir problemas na idade avançada. Além disso, é vital evitar a depressão, o isolamento social e hábitos prejudiciais como tabagismo e consumo excessivo de álcool. Também se deve ter cuidado com a poluição do ar, uma vez que esses fatores influenciam significativamente a qualidade de vida dos idosos.