A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprovou na última segunda-feira o registro do medicamento lenacapavir. Este medicamento é destinado à profilaxia pré-exposição (PrEP), uma estratégia que visa diminuir o risco de infecção pelo HIV-1 através de relações sexuais.
A indicação do lenacapavir é voltada para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, que pesem pelo menos 35 kg e estejam em situação de risco de contrair o vírus. Antes de começar o tratamento, é necessário realizar um teste que comprove a ausência do HIV-1.
Apesar da aprovação pela Anvisa, o medicamento ainda precisa ter seu preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A possibilidade de disponibilização do lenacapavir no Sistema Único de Saúde (SUS) será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.
O lenacapavir age inibindo várias etapas da função do capsídeo do HIV-1, o que impede a replicação do vírus. Ele pode ser administrado de duas maneiras: através de uma injeção subcutânea, que deve ser feita a cada seis meses, ou por meio de comprimidos orais, que são usados no início do tratamento.
A farmacêutica Gilead Sciences Brasil também informou que o registro do lenacapavir inclui a utilização do medicamento para pacientes que já apresentaram resistência a múltiplos tratamentos antirretrovirais.
A PrEP é uma proteção essencial contra a infecção por HIV, permitindo que pessoas que não têm o vírus, mas estão em risco, utilizem medicamentos antirretrovirais para reduzir as chances de transmissão. No Brasil, a PrEP está disponível pelo SUS desde 2018 na forma de um comprimido diário, que combina tenofovir disoproxil com emtricitabina. Embora essa abordagem seja eficaz, a adesão contínua é crucial, exigindo que o usuário tome a medicação diariamente e compareça com regularidade às Unidades de Saúde.
O lenacapavir já possui aprovação da FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, para uso como PrEP injetável semestral e também como terapia para pacientes com HIV multiexperimental. Na União Europeia, o medicamento é conhecido pelo nome Yeytuo. Outros países estão em processo de análise regulatória.
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como uma opção adicional para PrEP, destacando-o como a melhor alternativa disponível após uma vacina.
A PrEP é parte de uma abordagem chamada “prevenção combinada”, que inclui medidas como testes regulares para HIV, utilização de preservativos, tratamento antirretroviral, profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados especiais para gestantes que vivem com o HIV.
Com a aprovação da Anvisa, o lenacapavir se apresenta como uma nova ferramenta no combate à transmissão do HIV-1. Os estudos clínicos demonstraram uma eficácia de 100% na redução da infecção em mulheres cisgênero, 96% em comparação com a incidência de HIV nas condições iniciais e 89% a mais do que a PrEP oral diária.