09/02/2026
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Hanseníase é um desafio importante para a saúde pública no Brasil

A hanseníase continua a ser um importante desafio de saúde pública no país, mesmo com os avanços no diagnóstico e no tratamento da doença. Durante o mês de janeiro, a campanha Janeiro Roxo visa conscientizar a população sobre a hanseníase, destacando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado para os pacientes. Além disso, a campanha também busca combater o estigma que ainda cerca a doença.

Dados oficiais mostram que, entre 2014 e 2023, foram registrados 309.091 casos de hanseníase, com 80% desses casos sendo novos. Isso indica que a transmissão da doença ainda está ativa no país. Após uma queda significativa nos casos durante a pandemia de covid-19, em que o acesso aos serviços de saúde foi reduzido, os números começaram a aumentar novamente. Em 2023, a taxa de detecção de hanseníase chegou a 10,68 casos para cada 100 mil habitantes, um índice considerado alto pelo Ministério da Saúde. Embora em 2024 tenham sido notificados 22.129 novos casos, uma diminuição de 2,8% em relação ao ano anterior, o país continua a ser o segundo no mundo em número absoluto de casos, superado apenas pela Índia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Ceará, um aspecto preocupante foi identificado em 2023: apenas 2,2% dos novos casos foram detectados por meio de exames de contatos, que são essenciais para o diagnóstico precoce e para interromper a transmissão da doença. A maior parte dos diagnósticos ocorre por meio de encaminhamentos ou por demanda espontânea, o que sugere que muitos pacientes chegam aos serviços de saúde em estágios mais avançados da doença.

Outro ponto de atenção é a predominância da hanseníase multibacilar, que representa mais de 80% dos casos no país. Essa forma da doença tem maior carga bacteriana e potencial de transmissão, e, quando não tratada precocemente, pode levar a sérios comprometimentos dos nervos periféricos, resultando em incapacidades físicas e sequelas permanentes.

O médico dermatologista Breno Fonseca alerta que o comprometimento neurológico é um dos principais sinais de alerta da hanseníase. Ele explica que o dano neurológico geralmente começa com a perda de sensibilidade térmica e, em seguida, pode evoluir para a perda da sensibilidade tátil. Essa progressão ajuda a diferenciar a hanseníase de outras condições dermatológicas, ressaltando a importância de procurar um médico ao notar manchas na pele e alterações sensoriais.

A transmissão da hanseníase ocorre principalmente através do contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas, especialmente por vias respiratórias. A prevenção depende do diagnóstico precoce e do início imediato do tratamento, além da avaliação dos contatos domiciliares. Após o início do tratamento, que é feito com uma combinação de antibióticos chamada poliquimioterapia, não é necessário isolar o paciente, pois ele deixa de transmitir a doença rapidamente.

O tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode durar de seis a doze meses, variando conforme a forma da doença. Quando iniciado no momento certo, é possível interromper a transmissão, evitar sequelas e garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente. A campanha Janeiro Roxo reforça que informação, vigilância e acesso ao cuidado são fundamentais para enfrentar essa doença, que tem cura, mas ainda demanda atenção constante da sociedade e dos serviços de saúde.

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