05/02/2026
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Segurança autônoma em território da África Ocidental

Terra, uma empresa da Nigéria, arrecadou US$ 11,75 milhões para desenvolver sistemas de segurança autônomos. Essa conquista é um marco importante para a tecnologia na África, onde os investimentos costumam ir mais para o setor financeiro.

A rodada de investimentos foi liderada por 8VC, empresa de Joe Lonsdale, co-fundador da Palantir. Outros investidores incluem Valor Equity Partners, Lux Capital e SV Angel. Micky Malka também participou como investidor-anjo. Alex Moore, parceiro da 8VC, se juntou ao conselho da Terra no ano passado.

A Terra foi fundada em 2024 por Nathan Nwachuku, de 22 anos, e Maxwell Maduka, de 24, em Abuja. A companhia fabrica drones, torres de vigilância autônomas, veículos não tripulados e outras tecnologias de segurança, focando principalmente no mercado africano.

Nathan Nwachuku, o CEO, comenta que a África está se industrializando rapidamente, com novas minas e usinas surgindo todo mês. Porém, ele destaca que isso não adianta se questões de insegurança e terrorismo não forem resolvidas. A missão da Terra é dar à África uma vantagem tecnológica para proteger seu futuro industrial.

A tecnologia da Terra usa o ArtemisOS, um software próprio que promete detectar ameaças em tempo real, planejar missões de forma autônoma e coordenar respostas em ambientes desafiadores onde modelos de segurança tradicionais não conseguem atuar.

Os produtos da empresa incluem:

  • Archer VTOL: um drone de longa distância, projetado para missões de vigilância.

  • Iroko UAV: um quadricóptero modular, que pode ser produzido em massa, voltado para respostas rápidas e coleta de dados.

  • Duma UGV: um drone terrestre autônomo, flexível com arquitetura aberta que permite configurações para vigilância no chão.

  • Kallon Sentry Tower: torre movida a energia solar, capaz de identificar e rastrear ameaças a até 3 km, aumentando a segurança em locais críticos como fronteiras e bases militares.

A Terra já começou a usar alguns de seus produtos em ativos de infraestrutura, como usinas hidrelétricas na Nigéria e operações de mineração de ouro e lítio em Gana.

O diferencial da Terra está na forma como combina tecnologia autônoma, software de vigilância e implementação operacional em uma plataforma adaptada às condições locais. A maior parte da equipe de engenharia está na África e a empresa fabrica seus sistemas no continente, diferente do que se vê com equipamentos de defesa importados.

Alex Moore, da 8VC, elogiou os fundadores, afirmando que eles formaram uma equipe brilhante para resolver um problema importante no continente e que está animado para apoiar essa missão.

No seu primeiro ano de atividades, a Terra anunciou cerca de US$ 2 milhões em pedidos e recentemente fechou um contrato de US$ 1,2 milhão com a NetHawk Solutions para proteger barragens hidrelétricas, superando um concorrente israelense.

A África, marcada por escassez, enfrenta há anos a falta de infraestrutura tecnológica efetiva. Em muitas regiões, a eletricidade ainda não é confiável ou sequer disponível, o que prejudica o desenvolvimento tecnológico. A chegada da Terra pode abrir portas para novas tecnologias locais, a condição é que fundadores locais olhem além de fintech e criptomoedas.

O que os fundadores da Terra construíram, com produtos reais em uso, demonstra que o futuro da infraestrutura de segurança na África pode ser moldado tanto pela engenharia local quanto pelos investimentos externos.

A Terra é um claro exemplo de como a inovação pode surgir de dentro do continente, oferecendo soluções adaptadas às necessidades locais em um cenário onde a segurança é crítica. Essa iniciativa é um lufada de ar fresco para a tecnologia africana, provando que é possível criar e implementar soluções eficazes para desafios regionais.

Além disso, o cenário global está mudando e as empresas africanas têm a chance de ocupar um espaço importante no mercado de tecnologia de segurança. O passo dado pela Terra é uma inspiração para outras startups, especialmente em um continente que precisa de mais inovações.

Portanto, é essencial que o setor tecnológico na África continue investindo em soluções que atendam às exigências locais. Com o apoio certo, empresas como a Terra podem expandir ainda mais seu impacto, auxiliando na proteção e segurança de diversas áreas essenciais.

A perspectiva é otimista, com um futuro em que mais empresas africanas possam se destacar globalmente, produzindo tecnologias inovadoras que atendam às necessidades do próprio continente. Essa mudança é um convite para que novos empreendimentos surjam, buscando soluções que realmente façam a diferença no dia a dia das pessoas e na infraestrutura do continente.

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