Alerta Sobre Saúde Mental Infantil
A campanha “Janeiro Branco”, que visa conscientizar sobre saúde mental, destaca uma preocupação crescente em relação às crianças. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo vive com transtornos mentais, 14% delas na adolescência. No país, 1 em cada 6 adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta algum transtorno emocional, com riscos que incluem automutilação, depressão e até suicídio.
Segundo especialistas, o uso excessivo de telas e a escassez de interações presenciais e atividades lúdicas estão diretamente relacionados a esse cenário preocupante. A psicanalista clínica Rose Jarocki, com mais de 37 anos de experiência na área de desenvolvimento humano e educação, afirma que a atenção deve ser voltada para as crianças, pois elas são o futuro. Ela alerta que o tempo que as crianças passam na internet pode ser superior ao que passam com a família, e isso pode impactar sua saúde mental.
Efeitos do Excesso de Telas
Um estudo importante publicado na revista “Pediatrics”, que analisou mais de 10.500 crianças e pré-adolescentes nos Estados Unidos, confirmou essa preocupação. Os resultados mostraram que crianças que têm acesso a smartphones antes dos 12 anos correm mais riscos de desenvolver sintomas depressivos, obesidade e problemas de sono durante a adolescência.
Desconectar para Reconectar
Diante dessa realidade, Rose Jarocki tem promovido atividades ao ar livre desde 1989, visando afastar crianças das telas e incentivá-las a brincar, se conectar com os outros e com a natureza. Como fundadora da “Cia do Lazer”, localizada em Porto de Galinhas, em Pernambuco, ela organiza acampamentos educativos que reúnem crianças e adolescentes de 7 a 16 anos, permitindo que passem uma semana longe de celulares e conectados em atividades lúdicas e esportivas.
Esses acampamentos buscam oferecer mais do que diversão: eles são uma forma de cuidar da saúde emocional das crianças. Rose enfatiza que a desconexão das telas ajuda as crianças a se reconectarem com elas mesmas e a desenvolverem melhores habilidades sociais e emocionais.
A Perspectiva das Famílias
Ana Nascimento, mãe de três crianças, relata como seus filhos participaram do acampamento e enfrentaram dificuldades relacionadas ao uso excessivo de telas. Ela destaca que a dinâmica de educação mudou e que é necessário um esforço consciente para limitar o tempo de tela dos filhos. Ana percebeu a felicidade que os filhos trouxeram após o acampamento, onde voltaram cheios de histórias para contar.
Experiências das Crianças
Para Artur, um aluno de 11 anos que participou do acampamento, a falta de celular não foi um problema, pois as atividades eram tão estimulantes que ele não sentiu falta do dispositivo. Letícia, de 15 anos, também compartilha sua experiência positiva, ressaltando a importância das amizades e das atividades ao ar livre, que superaram a ausência do celular.
Responsabilidade Coletiva
A saúde mental das crianças é uma responsabilidade compartilhada entre pais, escolas e a sociedade. Especialistas alertam que oferecer um celular como uma solução fácil pode acarretar consequências negativas a longo prazo. Limitar o uso de telas e estimular brincadeiras e interações reais são ações essenciais para formar adultos emocionalmente saudáveis.
Neste mundo cada vez mais digital, iniciativas que promovem a desconexão consciente são fundamentais. Cuidar da saúde mental das crianças é um investimento no futuro das próximas gerações.
Ajuda e Apoio
A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que os adolescentes podem enfrentar desafios emocionais cada vez mais intensos, especialmente devido às redes sociais. Mudanças de humor, insegurança e ansiedade são normais, mas sinais persistentes ou intensos necessitam de atenção.
Os pais devem ficar atentos a sinais de alerta, como isolamento, mudanças extremas de sono e apetite, e comportamentos autodestrutivos. Nesses casos, é fundamental buscar ajuda profissional.
Um ambiente familiar acolhedor, que inclua diálogo, atividades conjuntas e valorização da autonomia, serve como um importante fator de proteção. Também é essencial estimular habilidades emocionais como empatia e tolerância à frustração, que ajudam os adolescentes a lidar melhor com desafios.
Para famílias que buscam ajuda, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento gratuito em unidades de saúde e centros de atenção psicossocial. É um crucial caminho para garantir o bem-estar emocional das crianças e jovens.