As empresas brasileiras estão cada vez mais atentas à saúde mental de seus empregados, especialmente ao se preparar para 2026. No início deste ano, várias organizações decidiram manter suas operações em ritmo reduzido. Isso ocorreu por meio de férias coletivas ou opções de retorno gradual, uma estratégia que busca lidar com o aumento dos afastamentos por questões emocionais e garantir a produtividade no futuro.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em apenas 2024, mais de 472 mil licenças foram dadas por motivos como ansiedade, burnout e depressão. Esse número representa um crescimento de 68% em comparação com 2023, e indica uma pressão crescente para que as empresas reconsiderem suas práticas de gestão de pessoas e a organização do trabalho.
Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil e na região EMEA, destaca que o início do ano é um momento chave. Ele acredita que dar tempo para as equipes se recuperarem é fundamental, e que as pausas não são mais vistas como simples benefícios, mas sim como parte fundamental do cuidado com a saúde mental dos colaboradores.
### Janeiro: Mês de Ajuste
Tradicionalmente, janeiro é um mês em que muitos trabalhadores sentem a pressão de voltar com tudo. Contudo, Oliveira aponta que o cérebro humano leva tempo para se adaptar a esse novo ritmo. Para ele, esse mês deveria ser visto como um período de reorganização mental, onde menos estímulos podem favorecer a recuperação emocional.
Desconectar-se de e-mails, reuniões e prazos apertados permite que os trabalhadores recarreguem suas energias antes de encarar novas demandas. Segundo Oliveira, essa estratégia pode levar a decisões mais racionais e a um menor risco de adoecimentos futuros relacionados à saúde mental.
Pesquisas internacionais também apoiam essa visão. Um estudo publicado pela APA PsycNet revelou que a sensação de bem-estar durante as férias é superior à observada em outras épocas do ano, o que ressalta a importância de incluir pausas regulares nas agendas corporativas.
### Planejamento e Retorno Gradual
Entretanto, para que esses períodos de descanso sejam benéficos, é essencial um bom planejamento. Em muitos casos, sem diretrizes adequadas, alguns trabalhadores acabam utilizando as férias para se sobrecarregar com cursos e metas de autodesenvolvimento. Oliveira alerta que essa prática pode substituir a pressão diária por novas formas de ansiedade.
O especialista sugere que o equilíbrio deve ser a chave no retorno ao trabalho. Atividades escolhidas por interesse pessoal são vistas como um “descanso ativo”, enquanto tarefas longas e ligadas à carreira podem elevar ainda mais a pressão, prejudicando a recuperação.
Para as empresas, um retorno gradual após as férias pode ajudar a manter um bom ambiente de trabalho. Equipes que descansam de maneira eficaz costumam voltar com mais foco e facilidade para atender as demandas do novo ano.
Incorporando a saúde mental no planejamento de janeiro, as organizações passam a perceber as pausas não apenas como um momento de descanso, mas como uma estratégia de longo prazo. Essa desaceleração inicial visa reduzir o risco de afastamentos, manter o engajamento dos funcionários e garantir um desempenho consistente ao longo de 2026.