24/03/2026
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Rio de Janeiro: últimas notícias e atualizações

Protesto reúne comunidade em defesa das árvores e da identidade do bairro

Moradores do Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro, organizaram um protesto no sábado, 24 de janeiro. O evento foi uma resposta contra a derrubada de 55 árvores no antigo terreno do Clube da Light, localizado na Rua Barão do Bom Retiro, nº 2002. A manifestação, convocada pela Associação de Moradores e Amigos do Grajaú (AMAGRAJA), começou às 9h, na Praça Malvino Reis, de onde a galera se deslocou até o estande do novo condomínio em construção.

Área histórica perdeu proteção legal e liberou construção de grande condomínio

O espaço onde funcionava a Associação Atlética Light já teve um tombamento provisório, que foi decretado pelo prefeito. Essa proteção reconhecia a importância histórica, social e ambiental do local para a comunidade. No entanto, essa proteção foi revogada, permitindo a construção de um grande empreendimento imobiliário da Cyrela/Living. O projeto prevê a edificação de 380 apartamentos.

Comunidade denuncia “ecocídio” e perda de área verde consolidada

Para os moradores mobilizados, o corte das árvores é um grave ataque ao meio ambiente local. Eles usam o termo “ecocídio” para descrever o impacto da remoção da vegetação em uma área que sempre foi verde. Um abaixo-assinado online, já com cerca de 700 assinaturas, circula entre os moradores e ambientalistas, aumentando a pressão contra o projeto.

Críticas à gestão municipal e comparação com outros casos no Rio

Gustavo Bueno, diretor de comunicação da AMAGRAJA, afirma que o caso do Grajaú não é único. Situações semelhantes já ocorreram em outros bairros do Rio, como no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo. Segundo ele, as decisões tomadas favorecem grandes empreendimentos sem considerar devidamente os impactos ambientais e sociais.

Gustavo enfatiza que a revogação da proteção legal do local levanta questionamentos. Para a associação, isso resulta na perda de um espaço verde e histórico, que era parte da identidade do bairro.

Autorização ambiental prevê compensação considerada insuficiente

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento autorizou a retirada das árvores para a incorporadora CBR124 em dezembro de 2025. A empresa se comprometeu a plantar 1.960 novas árvores em até 90 dias. Contudo, moradores afirmam que essa compensação não é suficiente, pois árvores adultas e saudáveis não podem ser substituídas por mudas que demoram anos para crescer.

Rede de esgoto antiga e trânsito intenso aumentam preocupação local

Além das questões ambientais, a construção levanta preocupações sobre a infraestrutura da área. A rede de esgoto, que data da década de 1930, pode não suportar a demanda extra de novos moradores. O trânsito também é uma preocupação, pois a área já enfrenta fluxo intenso, especialmente nas ruas Barão do Bom Retiro e José do Patrocínio.

Revogação do tombamento foi ponto-chave para viabilizar o projeto

Embora a venda do terreno tenha sido aprovada em 2024 pelo Cade, o verdadeiro avanço do empreendimento só ocorreu após a revogação do tombamento em outubro de 2025. O tombamento original, de 2016, reconhecia o clube como um bem histórico e cultural importante para o Grajaú e a Zona Norte do Rio.

Clube da Light marcou gerações e história esportiva do bairro

O Clube da Light foi fundado em 30 de maio de 1933, por funcionários da antiga Companhia de Carris, Força e Luz do Rio de Janeiro. Inicialmente chamado de Light Rua Larga Sport Club, teve seu nome mudado para Light Athletico Club. Após se mudar para o Grajaú, o clube virou um espaço essencial de lazer e convivência, criando laços na memória afetiva das gerações.

Mobilização ganha força e amplia debate urbano

Imagens do antes e depois do terreno têm rolam nas redes sociais, ampliando a mobilização. Para os moradores, a luta vai além da defesa de um clube e de árvores; é sobre qualidade de vida, preservação da memória urbana e a discussão sobre o tipo de cidade que está sendo construída.

Caso do Grajaú reflete dilema entre crescimento e preservação

A mobilização no Grajaú traz à tona um conflito comum nas grandes cidades: a luta entre a expansão imobiliária e a preservação do meio ambiente e da história. Em uma cidade já marcada por problemas como ilhas de calor e enchentes, o corte de árvores faz o debate sobre gestão urbana e o futuro de bairros tradicionais ganhar ainda mais relevância.

Perguntas frequentes (FAQ)

Onde acontece o protesto no Grajaú?
Na Praça Malvino Reis, no sábado, dia 24, a partir das 9h.

Quantas árvores foram autorizadas para corte no local?
Foram 55 árvores, com promessa de plantio de 1.960 mudas como compensação.

Quem é responsável pelo novo empreendimento imobiliário?
O condomínio está sendo desenvolvido pela Cyrela/Living, que planeja 380 apartamentos.

Quais são as principais preocupações dos moradores?
Os impactos ambientais, a sobrecarga da rede de esgoto, o aumento do trânsito, a perda do patrimônio histórico e a revogação do tombamento.

Como apoiar a mobilização?
É possível assinar o abaixo-assinado online e compartilhar informações nas redes sociais para aumentar a conscientização.

Com a mobilização, a comunidade do Grajaú mostra que está atenta às mudanças e luta pela preservação de seulhistória, espaço verde e qualidade de vida.

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