05/02/2026
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Sthorm investe em ciência avançada para inovar em saúde e clima

No contexto atual de crescente urgência climática, crises de saúde e a necessidade de inovações tecnológicas, a competição por descobertas e soluções se intensifica. O Brasil, tradicionalmente visto como fornecedor de talentos e publicador de pesquisas, busca encontrar seu espaço no cenário global de inovações. Portanto, a Sthorm, uma iniciativa brasileira dedicada à pesquisa de ponta, está tentando mudar essa realidade.

A Sthorm se apresenta como uma infraestrutura privada voltada para a inovação profunda, contando com uma equipe multidisciplinar que atua em áreas como saúde, meio ambiente e biodiversidade. O que a organizaçãso busca é criar um ecossistema que una a pesquisa básica com tecnologia aplicada e um modelo econômico viável, visando acelerar projetos que costumam ter ciclos longos e complexos, característicos de inovações tecnológicas profundas. O princípio que guia seus esforços é “Pessoas e Planeta”, o que significa que eles consideram igualmente o impacto socioambiental e a viabilidade financeira.

De acordo com Wilson Ferreira Junior, presidente do conselho da Sthorm, é essencial reposicionar a inovação como um ativo estratégico, além de desenvolver ferramentas que ajudem a lidar com o risco e o tempo envolvidos. Ele destaca que no Brasil, a alta taxa de juros afasta investimentos de longo prazo, sendo a renda fixa uma opção mais atraente para os investidores. No setor de ciência e tecnologia, essa preferência se torna um obstáculo ainda maior, uma vez que as inovações demandam mais tempo para serem desenvolvidas.

Esse cenário está relacionado ao que especialistas chamam de “Vale da Morte” da inovação, que ocorre quando projetos com potencial ficam paralisados por falta de recursos para prototipagem e regulamentação. A Sthorm observa que o mercado brasileiro apresenta baixa capacidade para assumir riscos tecnológicos e depende fortemente de financiamento público, que muitas vezes é instável.

Para contornar essas dificuldades, a Sthorm planeja formar uma holding que distribua os riscos entre projetos de diferentes maturidades. Ferreira Junior menciona que mais de cem investidores, principalmente pessoas físicas e cientistas envolvidos, constituem a base de capital de cerca de R$ 150 milhões.

Esse modelo de operação é semelhante ao que ecossistemas de inovação mais desenvolvidos fazem ao unir ciência, investimentos e saídas estratégicas. Em 2025, pesquisas premiadas com o Nobel de Economia ressaltaram que o crescimento econômico depende da inovação e da capacidade de substituir o antigo pelo novo.

A Sthorm se posiciona como um catalisador na região, onde a transformação de conhecimento acadêmico em produtos ainda é escassa. Marina Domenech, COO da Sthorm, observa que o Brasil não possui uma indústria robusta de inovação radical e que as iniciativas muitas vezes são reativas. Ela defende que é necessário um planejamento de longo prazo para pesquisa e desenvolvimento, especialmente para projetos que demandam anos para validação.

De acordo com Domenech, o trabalho da Sthorm combina impacto social e geração de receita, evitando tratar a ciência apenas como um projeto filantrópico. Ela ressalta que, embora a cifra de R$ 150 milhões possa parecer baixa, em termos globais de pesquisa e desenvolvimento, os recursos disponíveis são muito mais significativos.

Um dos projetos destacados pela Sthorm é a criação de uma organização chamada Biotimize, que visa melhorar a capacidade do país em produzir lotes de medicamentos para ensaios clínicos. Atualmente, todas as amostras em pesquisa precisam ser importadas, encarecendo e atrasando o desenvolvimento local.

A Sthorm já iniciou operações em um laboratório em Piracicaba, São Paulo, e tem planos de construir uma fábrica de produtos piloto até 2028, com um investimento estimado de R$ 180 milhões. Essa nova estrutura deve permitir que o Brasil desenvolva internamente suas próprias vacinas e biofármacos, reduzindo a dependência externa.

Além disso, a Sthorm investe em iniciativas de diagnóstico e terapias avançadas, como um teste de biópsia líquida para a detecção precoce de câncer, especialmente em regiões distantes. Outro projeto, denominado iOz, utiliza engenharia genética do vírus Zika para desenvolver tratamentos, demonstrando inovação em áreas desafiadoras da saúde.

Na área de biofármacos, a Sthorm está criando uma biblioteca virtual de anticorpos para trabalhar em parceria com instituições como o Butantan, visando reduzir a necessidade de importações de fármacos de alto custo.

Outra vertente importante é a PlanetaryX, uma startup que visa transformar ecossistemas preservados em ativos financeiros, utilizando tecnologia e monitoramento por satélite. Essa estratégia busca beneficiar quem preserva o meio ambiente, como comunidades indígenas e ribeirinhas.

Recentemente, Pablo Lobo, fundador da Sthorm, participou de eventos internacionais sobre investimentos sustentáveis e saúde planetária, tentando alinhar a discussão sobre capital com temas ambientais e sociais.

A mensagem que a Sthorm busca transmitir é que o sucesso em tecnologias profundas não depende apenas de boas ideias e talentos, mas também de uma governança robusta, infraestrutura industrial e abordagem de risco que permita que inovações avancem do laboratório ao mercado. Ferreira Junior conclui que o verdadeiro objetivo é criar um pacto entre desenvolvimento econômico e responsabilidade social, mudando a percepção sobre riscos tecnológicos de uma aposta para um investimento estratégico.

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