O ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), é o foco de um protesto organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) programado para a noite desta quinta-feira, 22, na frente da sede do banco na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O ato busca pressionar por um avanço nas investigações sobre o caso e exigir a responsabilização de todos os envolvidos. A principal reivindicação do protesto é a saída de Toffoli do caso.
De acordo com Renan Santos, coordenador do MBL, a manifestação foi iniciada há duas semanas em resposta ao envolvimento do Tribunal de Contas da União (TCU) no processo. O grupo tem como objetivo criticar as decisões de Toffoli que causaram tensões com a Polícia Federal (PF) e pedir seu afastamento da relatoria.
Embora protestos sejam comuns na região da Faria Lima, eles costumam ser ligados a sindicatos e movimentos sociais voltados à esquerda. Desta vez, a mobilização conta com a participação de um grupo de direita que é favorável a políticas de mercado e que possui um partido registrado, o Missão, aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro do ano passado.
Os alvos do protesto não se restringem apenas a Toffoli. Daniel Vorcaro, CEO do Master, e o ministro do TCU Jhonatan de Jesus também estão na mira do MBL. No entanto, Toffoli se tornou o principal centro das críticas após novas revelações levantarem dúvidas sobre sua continuidade à frente do caso.
Toffoli assumiu a relatoria do processo Master após uma solicitação da defesa de Vorcaro, que alegou necessidade devido à menção de um político com foro privilegiado, o deputado João Carlos Bacelar. No decorrer das investigações, Toffoli determinou o sigilo dos documentos, o que ocorreu após sua presença em um jatinho, na companhia do advogado de um dos diretores do Master, rumo à final da Libertadores em 2025.
Após essa viagem, o ministro ordenou que todas as provas apreendidas pela PF fossem mantidas no STF e que o depoimento das partes envolvidas ocorresse na Corte. Em uma decisão que gerou controvérsia, Toffoli também havia inicialmente barrado o acesso dos investigadores ao material da PF, mas acabou recuando e permitindo que o Ministério Público Federal tivesse acesso.
Recentemente, a insatisfação com sua conduta cresceu, sobretudo após a revelação de que um irmão de Toffoli é sócio de um resort no Paraná com um dos investigados, aumentou a pressão para que ele se desligue do caso. Informações apontam que Toffoli tinha sido tratado como “dono” do hotel pelos funcionários e foi visto recebendo empresários no local.
Em relação ao protesto, a sede do banco Master em São Paulo foi cercada por tapumes na manhã anterior à manifestação, o que chamou a atenção de quem passava pelo local. Quando questionada, a defesa de Vorcaro disse que as decisões sobre as barreiras de proteção eram de responsabilidade do liquidante nomeado pelo Banco Central.
Além das mobilizações nas ruas, o caso Master também está sob investigação no Congresso Nacional. O deputado Carlos Jordy e o senador Eduardo Girão revelaram que conseguiram reunir as assinaturas necessárias para solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em relação ao Master, mas a decisão final sobre a instalação cabe ao presidente do Congresso.