Resumo: Novas pesquisas mostram que cerca de dois terços das crianças autistas que não falam no início conseguem desenvolver a fala depois de intervenções precoces baseadas em evidências. O estudo identifica fatores importantes, como a duração da intervenção e as habilidades de imitação motora, que influenciam o sucesso.
Fatos Importantes
- Taxas de Sucesso: Aproximadamente 67% das crianças autistas que não falam desenvolveram linguagem após intervenções precoces.
- Duração vs. Intensidade: O estudo revelou que a duração total da terapia é um preditor mais importante do sucesso do que a intensidade semanal.
- Habilidades Críticas: Crianças com melhores habilidades de imitação motora, como bater palmas, têm mais chances de adquirir a linguagem.
- Escopo do Estudo: Pesquisadores analisaram dados de 707 crianças autistas em diversas intervenções baseadas em evidências.
Depois de receberem intervenções precoces baseadas em evidências, cerca de dois terços das crianças autistas que não falavam começam a usar palavras simples. Além disso, cerca de metade consegue formar frases mais complexas. Esses dados vêm de um estudo liderado por especialistas da A.J. Drexel Autism Institute.
Os resultados, publicados em uma revista especializada, trazem informações valiosas para melhorar as taxas de sucesso entre as crianças que permanecem sem fala ou que falam pouco após a terapia.
Nos Estados Unidos, cerca de uma em cada 31 crianças é diagnosticada com autismo, e estima-se que um terço delas não fale. Assim, desenvolver habilidades de linguagem é fundamental na primeira infância. Aqueles que não conseguem aprender a falar até a pré-escola costumam enfrentar mais dificuldades na vida.
Duração em vez de Intensidade
Este é o maior estudo feito até agora sobre o tema, analisando dados de 707 crianças autistas que participaram de diferentes programas de intervenção. Essas crianças se submeteram a terapias de, no mínimo, 10 horas por semana.
A pesquisa mostrou que a duração da intervenção está mais ligada a bons resultados do que a intensidade das sessões.
“Descobrimos que a duração da intervenção, e não sua intensidade, é que realmente afeta os resultados nas crianças que não falam,” explicam os autores do estudo.
Isso indica que, ao invés de fazer tratamentos intensivos em uma única semana, pode ser mais eficaz estender a terapia ao longo de um período maior, permitindo mais oportunidades de prática das habilidades.
Ajustando e Monitorando a Terapia
No estudo, as crianças que não tiveram sucesso começaram com pontuações mais baixas em medidas cognitivas, sociais, adaptativas e de imitação motora. Mas, algo importante é que esses fatores podem ser ajustados.
“Quando os pais me perguntam se seus filhos devem passar por essas intervenções para falar, minha resposta é sim,” diz Giacomo Vivanti, professor na escola de saúde pública da Drexel.
“O que nossa pesquisa mostra é que, mesmo com práticas baseadas em evidência, alguns filhos não avançam. Por isso, devemos acompanhar de perto a evolução de cada criança e avaliar o que pode ser melhorado na terapia.”
Vivanti destaca que para algumas crianças, a versão “padrão” da intervenção é suficiente, enquanto outras precisam focar em habilidades pré-verbais essenciais para a comunicação.
Imitação Motora como Indicador
De acordo com estudos anteriores, os pesquisadores descobriram que crianças que imitam mais, como batendo palmas ou acenando com a cabeça ao serem incentivadas, têm mais chances de aprender a falar.
“Essas habilidades de comunicação que não envolvem fala podem ajudar a construir a base para a linguagem,” explica Vivanti. “Imitar o que os outros estão fazendo pode ajudar as crianças a imitar o que as pessoas dizem. Isso é um passo importante para se expressarem verbalmente.”
Apesar das diferenças nas teorias por trás de cada intervenção estudada, o tipo específico de terapia teve pouco impacto nos resultados de aprendizado da linguagem. Este estudo representa uma oportunidade rara para várias instituições de pesquisa em autismo colaborarem e compartilhar dados sobre crianças que não respondem bem às intervenções já estabelecidas.
Considerações Finais sobre a Pesquisa em Autismo
A pesquisa buscou entender quantas crianças autistas não conseguem desenvolver a fala, mesmo após passar por intervenções precoces. Além disso, o objetivo foi identificar as características das crianças e dos tratamentos que influenciam esse resultado.
Os cientistas reuniram dados de 707 crianças autistas, com uma idade média de 30,6 meses, que participaram de estudos sobre intervenções precoces. Analisaram quantas delas permaneceram sem fala ou apenas com algumas palavras após o tratamento e o que predizia os resultados.
A pesquisa revelou que cerca de dois terços das crianças que não falavam inicialmente passaram a usar algumas palavras, enquanto metade conseguiu formar frases. As crianças que não adquiriram a fala tinham pontuações iniciais mais baixas em habilidades cognitivas, sociais e de imitação motora.
Intervenções mais longas foram associadas a resultados melhores em linguagem, enquanto a intensidade semanal não teve um impacto significativo. A conclusão do estudo é clara: embora muitas crianças se beneficiem de intervenções precoces, um grupo ainda permanece sem fala.
Acompanhamento e ajustes nas estratégias de intervenção, especialmente em relação à duração e ao foco em habilidades de imitação, são essenciais para apoiar essas crianças em seu desenvolvimento.