05/02/2026
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A verdadeira história por trás da princesa Qajar e seu meme viral

A Verdadeira História da Princesa Qajar

Uma imagem pode valer mil palavras, mas, com a internet, muitas vezes são necessárias ainda mais palavras para entender a verdade. Nos últimos anos, fotos da chamada “Princesa Qajar” ganharam destaque nas redes sociais. Contudo, a história dessa princesa bigoduda é bem mais complexa do que aparenta.

Postagens afirmam que ela era um ícone de beleza em sua época e que 18 homens teriam se suicidado após ela rejeitá-los. Embora essas afirmações toquem em um fundo de verdade, elas não refletem a realidade completa.

Como a Princesa Qajar Ficou Famosa

Nos últimos anos, várias fotos da “Princesa Qajar” circularam na internet. Muitos desses posts, que receberam milhares de curtidas e compartilhamentos, seguem uma narrativa similar.

Um post no Facebook de 2017, com mais de 105 mil curtidas, dizia: “Conheça a Princesa Qajar! Ela é um símbolo de beleza na Pérsia (Irã). 18 jovens se suicidaram porque ela os rejeitou.” Outro post popular expressava uma história parecida, afirmando que ela era a personificação da beleza persa e que 18 jovens teriam se matado por causa da sua rejeição.

No entanto, a verdade por trás dessas histórias é mais complicada. As imagens mostram, na verdade, duas princesas persas, e não uma única mulher.

As Mulheres por Trás das Postagens

O que é frequentemente chamado de “história contrafactual” possui muitos erros. As postagens retratam duas meio-irmãs, a Princesa Fatemeh Khanum, conhecida como “Esmat al-Dowleh”, e a Princesa Zahra Khanum, chamada de “Taj al-Saltaneh”.

Fatemeh nasceu em 1855, enquanto Zahra veio ao mundo em 1884. Ambas foram filhas de Naser al-Din Shah Qajar, que tinha uma paixão pela fotografia, o que resultou em numerosas imagens delas. Seu interesse pela fotografia se estendeu a sua casa e até mesmo a seu gato.

Entretanto, ambas se casaram muito jovens e dificilmente conheceram homens que não fossem da família antes do casamento. Portanto, é improvável que tivessem atraído ou rejeitado 18 pretendentes. Na realidade, suas vidas foram muito mais vibrantes e ricas do que as postagens nas redes sociais sugerem.

A Vida de Esmat al-Dowleh e Taj al-Saltaneh

A Princesa Fatemeh Khanum se casou com apenas 11 anos. Ao longo de sua vida, ela aprendeu piano e bordado com um professor francês. Além disso, ela recebia as esposas dos diplomatas europeus que visitavam seu pai.

Sua meio-irmã, Taj al-Saltaneh, era a 12ª filha de Naser al-Din Shah. Ela se destacou como feminista, nacionalista e escritora talentosa. Casou-se aos 10 anos, divorciou-se duas vezes e escreveu suas memórias, intituladas Crowning Anguish: Memoirs of a Persian Princess from the Harem to Modernity.

Ela expressou em seus escritos a experiência das mulheres persas,clamando por emancipação. Em uma de suas reflexões, comentou: “As mulheres persas foram afastadas da humanidade e reunidas com o gado. Elas vivem suas vidas em desespero, aprisionadas sob o peso de ideais amargos.”

A Verdade em Torno da Beleza da Princesa Qajar

Os posts sobre a Princesa Qajar destacam particularmente o pelinho acima do lábio dela. No entanto, deve-se notar que, na Pérsia do século 19, ter bigode era considerado um sinal de beleza. Historicamente, padrões de beleza eram diferentes, e as mulheres valorizavam sobrancelhas grossas e pelos faciais.

Pesquisadores estudaram esses padrões e relataram que as mulheres não apenas se orgulhavam de suas características, como também frequentemente as realçavam. Ao mesmo tempo, homens sem barba eram vistos como atraentes, enfatizando uma concepção estética distinta da que conhecemos hoje.

Com o tempo e a crescente interação com a Europa, esses padrões mudaram. As postagens sobre a “Princesa Qajar” não estão totalmente erradas, já que refletem uma estética antiga, mas simplificam a complexidade da realidade.

A Profundidade das Princesas Qajar

Na verdade, a Princesa Qajar nunca existiu, mas Fatemeh Khanum e Zahra Khanum eram figuras reais e com histórias próprias. Embora tenham encarnado os ideais de beleza de seu tempo, suas vidas eram muito mais significativas.

Esmat al-Dowleh não era apenas uma filha de um soberano; ela teve um papel ativo nas recepções de convidados importantes. Já Taj al-Saltaneh fez frente às expectativas de sua sociedade e deixou um legado literário e político.

Apesar da superficialidade das postagens, a história delas é rica e merece ser contada em sua totalidade. Atribuir a elas apenas um título de beleza ignora suas lutas, conquistas e características como pensadoras inovadoras de seu tempo.

Considerações Finais

Em resumo, a história da “Princesa Qajar” revela como as narrativas podem ser distorcidas na era digital. O que parece ser um simples conto sobre beleza esconde histórias profundas de mulheres que pagaram um preço alto por suas vozes e identidades.

Explorar essas histórias nos permite compreender melhor as mulheres do passado e o impacto que tiveram em suas sociedades.

A lição aqui é clara: ao consumir informações na internet, é essencial buscar o contexto e a complexidade das histórias. Afinal, há muito mais por trás das imagens e narrativas que encontramos online.

Um bom olhar na história pode revelar verdades surpreendentes e nos ajudar a respeitar a riqueza da vida humana, especialmente de figuras históricas como Esmat al-Dowleh e Taj al-Saltaneh.

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