09/02/2026
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A ciência transforma o Brasil em novos desafios sociais

Dois importantes pesquisadores brasileiros participaram, na noite de terça-feira (2), do 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Estiveram presentes ao lado de Nísia Trindade, uma sanitarista e socióloga que foi ministro da Saúde e liderou a reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) após a pandemia. Os convidados foram Carlos Monteiro, fundador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, e Maurício Barreto, criador do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs) da Fiocruz. O evento foi mediado por Reinaldo Guimarães, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

O Cidacs, localizado no Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador, é um centro que analisa um grande volume de dados da população brasileira. O local reúne dezenas de pesquisadores que estudam a eficácia de programas de proteção social e seus impactos na saúde. A parceria do centro com o Governo Federal começou em 2011, quando uma colaboração entre pesquisadores e o Ministério do Desenvolvimento Social, liderado na época por Tereza Campello, possibilitou o uso dos dados do Cadastro Único (CadÚnico). Este cadastro inclui informações sobre as pessoas que participam de programas assistenciais, como o Bolsa Família.

Atualmente, o Cidacs possui dados de 140 milhões de brasileiros e utiliza tecnologias avançadas para cruzar informações de programas sociais com dados de saúde, nascimento e nutrição. As pesquisas realizadas pelo centro mostraram que o Bolsa Família não apenas aumentou a renda dos beneficiários, mas também teve efeitos positivos na saúde dessas pessoas, como a redução da mortalidade infantil e materna, além de doenças crônicas.

Maurício Barreto destacou a importância da epidemiologia na saúde coletiva e como as novas tecnologias podem contribuir para eliminar as desigualdades sociais. Ele enfatizou que os dados obtidos têm revelado a eficácia de programas como o Bolsa Família, e questionou o que poderia ser alcançado se houvesse um aumento do emprego em nível geral.

Carlos Monteiro, por sua vez, relatou como seus estudos impactaram a forma de enxergar a alimentação no país. Ele é um dos criadores da classificação NOVA, que categoriza os alimentos conforme seu grau de processamento. Essa nova forma de analisar os alimentos revelou que produtos ultraprocessados são prejudiciais à saúde, contribuindo para o aumento da obesidade e de doenças como diabetes e hipertensão. Monteiro ressaltou que, embora a indústria alimentícia tenha trazido avanços, muitos alimentos industrializados substituíram opções mais nutritivas, gerando impactos negativos na saúde da população.

As pesquisas lideradas por Monteiro influenciaram políticas de saúde em vários países e ajudaram a moldar recomendações alimentares pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Durante o evento, Nísia Trindade comentou que as descobertas científicas precisam ser ouvidas e implementadas pelo poder público para efetivamente melhorar a saúde da população. Ela frisou a importância do diálogo entre cientistas e gestores públicos, reiterando que ações de ciência, tecnologia e inovação são cruciais para a construção de políticas que atendam às necessidades da sociedade.

Os trabalhos apresentados por Monteiro e Barreto mostram que mesmo em tempos difíceis, a ciência brasileira está comprometida em promover avanços sociais relevantes, sinalizando um caminho a ser seguido na luta contra as desigualdades e na promoção da saúde pública.

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