08/02/2026
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A falta de rede prestadora compromete a saúde suplementar

A recente parceria entre a Unimed Ferj e a Unimed do Brasil tem sido apresentada oficialmente como uma solução para a crise enfrentada no setor de saúde no Rio de Janeiro. Entretanto, essa visão não é compartilhada por quem atua diretamente no dia a dia, como hospitais, clínicas e laboratórios. Esses profissionais acreditam que a situação atual é apenas uma repetição de problemas antigos.

Desde 20 de novembro, a Unimed Ferj, que atende 344 mil beneficiários, passou a operar em conjunto com a Unimed do Brasil, conforme determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Apesar dessa mudança, prestadores de serviços de saúde a consideram apenas uma solução temporária, que não resolve a crise estrutural que afeta o setor há mais de dez anos no estado.

Os dados financeiros indicam que a operação enfrenta grandes dificuldades. Apenas 7% da arrecadação do serviço ficará com a Unimed Ferj, o que é insuficiente para cobrir os custos operacionais e uma dívida que já ultrapassa R$ 2 bilhões, inclusive heranças da antiga Unimed-Rio. Esperar que essa nova estrutura resolva o buraco financeiro atual é encarado como uma ilusão, pois não há indicação clara de como será feito o financiamento para que a operação funcione adequadamente.

A situação é ainda mais complicada, pois muitos prestadores estão sendo obrigados a atender pacientes mesmo sem contratos claros, cronogramas de pagamento definidos ou garantias financeiras. Isso faz com que hospitais e clínicas, que são essenciais para o atendimento, tenham que arcar com o custo de um sistema que não está funcionando, o que é um sério desvio da lógica do setor de saúde.

Além disso, há uma falta significativa de transparência. Informações detalhadas sobre arrecadação, destinação de recursos e o montante total da dívida não estão disponíveis ao público. A ANS, que exige que as operadoras compartilhem esses dados mensalmente, parece não estar exercendo essa responsabilidade.

A realidade no campo é preocupante. Muitas redes hospitalares já suspenderam atendimentos, e empresas de home care não estão aceitando novos pacientes, principalmente aqueles que precisam de cuidados constantes. Essa crise não é apenas uma questão política; é uma consequência direta da inadimplência e da falta de segurança nos contratos, o que coloca os pacientes em risco de não receberem o atendimento que precisam.

Diante desse cenário, a ANS não pode se manter como uma observadora passiva. Se a agência orquestrou essa mudança, ela tem responsabilidades em garantir a transparência das informações e a viabilidade do modelo proposto. Aceitar soluções sem condições claras apenas transfere o risco para os prestadores, que já enfrentam desafios significativos.

Nos últimos anos, diversas tentativas de resolver essa crise falharam. Todas foram apresentadas como soluções viáveis, mas resultaram em dívidas crescentes e na fragilização das redes de atendimento, tornando os pacientes ainda mais vulneráveis. Essa insistência em adotar o mesmo tipo de solução é uma abordagem arriscada.

O sistema de saúde suplementar depende de fluxos financeiros adequados, contratos claros e previsibilidade. Sem pagamentos regulares, a rede de atendimento não se sustenta, e a qualidade do serviço prestado fica comprometida, afetando diretamente a saúde da população.

Os prestadores de serviços exigem transparência total em relação às finanças, garantias mínimas e um plano eficaz para recuperação de pagamentos. Eles também pedem uma participação significativa nas discussões com a ANS e outras instituições envolvidas no setor. Afinal, é a continuidade do atendimento e a saúde de milhares de pessoas que estão em jogo, não apenas a imagem de uma marca.

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