05/02/2026
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A insônia mantém o cérebro em modo diurno

Resumindo: Pessoas com insônia crônica têm um ritmo diário de atividade mental atrasado e enfraquecido, mantendo o cérebro em um estado mais alerta à noite, como se fosse durante o dia. Mesmo em ambientes controlados, essas pessoas não mostraram a diminuição normal do pensamento orientado por metas que ocorre em quem dorme bem.

A atividade mental atinge seu pico cerca de seis horas e meia mais tarde que o normal. Isso indica que a insônia pode ser um problema de sincronização biológica e não apenas uma dificuldade comportamental para dormir.

Fatos principais:

  • Mudança Circadiana: O pico da atividade mental ocorre mais tarde em pessoas com insônia.
  • Desaceleração Noturna Reduzida: A queda esperada na atividade mental durante a noite é menor.
  • Implicações para Tratamento: Fortalecer os ritmos circadianos pode ajudar a melhorar a qualidade do sono.

Pesquisadores australianos descobriram que a insônia pode estar relacionada a desregulações do ritmo natural de 24 horas da atividade mental no cérebro. Isso ajuda a entender porque algumas pessoas têm dificuldade em “desligar” à noite.

Um estudo, publicado na revista Sleep Medicine, foi liderado pela Universidade da Austrália do Sul. Esta pesquisa é a primeira a mapear como a atividade cognitiva varia ao longo do dia em pessoas com insônia crônica em comparação com aqueles que dormem bem.

A insônia afeta cerca de 10% da população, e até 33% dos mais velhos relataram ter a mente “ligada” à noite. Essa sensação de mente acelerada, embora amplamente reconhecida, ainda não estava totalmente clara em relação à sua origem.

Os cientistas investigaram se a dificuldade de diminuir a atividade mental à noite confirma desajustes no ritmo circadiano. Em condições de laboratório controladas, 32 adultos mais velhos foram monitorados por 24 horas. Desses, 16 tinham insônia e 16 eram dormidores saudáveis.

Esse método eliminou fatores ambientais e comportamentais, permitindo que os pesquisadores isolassem os ritmos internos do cérebro. Os participantes ficaram acordados em um quarto com pouca luz, na cama, com alimentação e atividade controladas. Eles completaram listas de verificação a cada hora, avaliando o tom, a qualidade e o controle de seus pensamentos.

Ambos os grupos mostraram padrões claros de atividade mental durante o dia, com picos à tarde e quedas nas primeiras horas da manhã. No entanto, surgiram diferenças significativas entre os insônias.

Enquanto os dormidores saudáveis apresentavam uma queda lógica de atividade mental durante a noite, os insônias tiveram dificuldades em desacelerar. “O que notamos é que o padrão de pensamento deles permaneceu semelhante ao do dia durante a noite”, explicou o professor Kurt Lushington, líder da pesquisa.

Além disso, os picos de atividade mental nos insônias estavam atrasados em cerca de seis horas e meia. Isso sugere que os relógios internos deles ainda estimulam um pensamento ativo à noite, quando o ideal seria relaxar.

“O sono não é só fechar os olhos. É também sobre o cérebro se desconectar de pensamentos voltados para metas e do envolvimento emocional”, afirma Prof. Lushington. “Nossa pesquisa mostra que, na insônia, essa desconexão é mais fraca e demora mais a acontecer, provavelmente por causa de anormalidades nos ritmos circadianos.”

A professora Jill Dorrian, co-autora do estudo, destaca que esses achados podem abrir novas possibilidades de tratamento para a insônia. “Intervenções que fortalecem os ritmos circadianos, como a exposição à luz no momento certo e rotinas diárias estruturadas, podem ajudar a restaurar os padrões naturais de pensamento”, sugere.

Além disso, a prática da atenção plena pode ser uma forma de ajudar a acalmar a mente à noite. Os pesquisadores observam que os tratamentos atuais, que geralmente focam em estratégias comportamentais, podem ser aprimorados. Os novos dados indicam que abordagens personalizadas que consideram os ritmos circadianos e os fatores cognitivos podem ser mais eficazes.

Perguntas Frequentes:

Por que a mente fica ativa à noite em pessoas com insônia?
A falha do relógio interno do cérebro não reduz corretamente a atividade mental durante a noite.

A insônia está ligada a ritmos circadianos desregulados?
Sim, os ritmos da atividade mental são atrasados e enfraquecidos em comparação aos dormidores saudáveis.

O cérebro acaba se acalmando na insônia?
Sim, mas de forma muito mais lenta e menos eficiente do que nas pessoas que dormem bem.

O estudo expôs que a incapacidade de reduzir a atividade cognitiva à noite reflete desajustes nos ritmos circadianos. Os pesquisadores avaliam que a alteração na atividade mental é uma das razões que explicam a insônia.

Com isso, fortalecendo a atividade circadiana e ajustando o pensamento sequencial, podem surgir novas intervenções no tratamento da insônia.

A insônia é um desafio comum que afeta a qualidade de vida de muitas pessoas. É importante que aqueles que passam por isso busquem estratégias que ajudem a lidar com a situação, trazendo maiores conhecimentos sobre seu funcionamento interno, buscando um estilo de vida mais alinhado aos seus ritmos naturais.

Esse tipo de pesquisa traz à tona não só informações sobre as consequências da insônia, mas também soluções. O foco em abordagens que respeitem os ritmos do corpo pode fazer uma grande diferença para aqueles que lutam contra a insônia. Com uma atenção cada vez maior para o bem-estar mental e físico, novos caminhos podem ser trilhados na busca pela qualidade do sono.

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