Na manhã desta segunda-feira, 1º de outubro, ocorreu um seminário no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, promovido pelas comissões de saúde da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados. O evento buscou ampliar a discussão sobre o adoecimento mental entre profissionais da saúde e identificar fatores de risco para desenvolver políticas de proteção e valorização desses trabalhadores. O público-alvo incluiu profissionais da saúde, estudantes, representantes de entidades e órgãos públicos.
Na abertura do evento, foram apresentados dados alarmantes do Observatório da Saúde do Trabalhador e da Fiocruz. De 30% a 40% dos profissionais de saúde no país relatam sintomas severos de ansiedade e depressão. Entre esses trabalhadores, que incluem enfermeiros, médicos, psicólogos e outros, mais de 70% enfrentam altos níveis de estresse ocupacional e exaustão emocional. As principais causas apontadas para essa situação são as longas jornadas de trabalho, a falta de apoio das instituições e as agressões que esses profissionais enfrentam.
O deputado Neodi Saretta, presidente da Comissão de Saúde, destacou que o adoecimento dos profissionais impacta diretamente a rede de saúde. Ele ressaltou a necessidade de promover ambientes de trabalho saudáveis e a valorização dos trabalhadores, enfatizando que o cuidado com a saúde mental é essencial e uma obrigação do Estado e da sociedade.
A deputada federal Ana Paula Lima, enfermeira de formação, também abordou a questão, mencionando a Síndrome de Burnout, que, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, afeta muitos profissionais da área. Ela alertou que os dados não são apenas números, mas um alerta sobre a sobrecarga de trabalho e a pressão que os profissionais enfrentam.
Durante o seminário, foram realizados debates sobre temas como a saúde mental dos trabalhadores na área da saúde e estratégias de acolhimento e prevenção. Dirigentes de diversas entidades presentes mostraram apoio às discussões. Janaína Henrique, do Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina, ressaltou que, em 2024, o estado ficou em quarto lugar no número de afastamentos do trabalho devido a questões de saúde mental.
A presidente da Associação Brasileira de Enfermagem de Santa Catarina, Jussara Guiartini, também contribuiu com suas perspectivas, ressaltando que a enfermagem é a categoria mais numerosa na saúde e que a violência contra esses profissionais tem crescido. Ela elogiou a oportunidade de discutir soluções para essa questão.
Roberto Eduardo Schneider, representando a Superintendência do Ministério da Saúde em Santa Catarina, reconheceu a gravidade do problema e se posicionou a favor da busca por soluções, destacando a importância de discutir a saúde mental de maneira integrada entre as autoridades.
O seminário mostrou a urgência de ações para proteger e valorizar os profissionais da saúde, visando uma melhor qualidade de vida no trabalho e, consequentemente, na prestação de serviços à população.