Uma grande companhia aérea de baixo custo na Europa decidiu encerrar seu programa de benefícios, chamado Prime, após apenas oito meses em operação. O motivo? Os membros descobriram como tirar muito proveito dele.
A Ryanair, líder de mercado na Europa, confirmou que será encerrado o Prime, um programa de fidelidade que tinha mais de 55 mil inscritos. O programa oferecia descontos em passagens, assentos reservados gratuitamente em até 12 voos por ano, além de um seguro de viagem incluído.
O problema surgiu porque as contas não estavam fechando. O Prime arrecadou 4,4 milhões de euros em taxas de assinatura, mas os benefícios que os membros receberam superaram 6 milhões de euros. Isso significa que a aérea estava, na prática, pagando para que os clientes usassem o programa, o que não é um modelo sustentável.
Dara Brady, o diretor de marketing da Ryanair, destacou que essa experiência gerou mais gastos do que arrecadação. Ele também mencionou que o retorno financeiro da assinatura não justificava todo o esforço necessário para organizar vendas exclusivas de passagens mensais para os membros do Prime.
### O que o Prime oferecia e por que era tão vantajoso
O Prime foi lançado em fevereiro por 79 libras ou 79 euros por ano, sendo um plano direcionado para quem viaja com frequência e sabe como aproveitar as boas ofertas. Com a cobrança de assentos variando entre 4,50 e 38 libras, os membros poderiam economizar entre 54 e 456 libras por ano. Assim, quem atingisse o limite de 12 voos gratuitos geralmente saía no lucro.
A associação do Prime se renovava automaticamente a cada 12 meses. A Ryanair informou que os membros atuais ainda poderão aproveitar os benefícios até o final do ano pago.
### Movimento raro em um cenário de mais custos extras
Enquanto muitas companhias aéreas estão separando serviços e vendendo como adicionais – como embarque prioritário ou assentos laterais – a decisão da Ryanair de oferecer uma economia em pacote se destacou. Na verdade, a tendência é que companhias aéreas estejam cada vez mais apostando na cobrança de taxas avulsas em vez de oferecer pacotes integrados.
A criatividade da Ryanair com preços não é novidade; sempre fez parte da identidade da empresa. Desde os anos 2000, a companhia construiu sua fama e seu império, que transporta cerca de 200 milhões de passageiros por ano, baseando-se em tarifas muito baixas combinadas com serviços adicionais cobrados à parte. Isso inclui taxas para despacho de bagagens, escolha de assento, check-in no aeroporto e até impressão do cartão de embarque.
Esse modelo gerou polêmica no início, mas acabou reconfigurando a aviação europeia e popularizando o conceito de “pague pelo que usar” ao redor do mundo. Companhias aéreas dos Estados Unidos, como a Delta e a American, também começaram a adotar estratégias semelhantes, e até a Southwest adicionou mais taxas e restrições ao longo do tempo.
### O que os membros do Prime devem esperar agora
A Ryanair anunciou que voltará a oferecer promoções para todos os passageiros, em vez de reservar descontos exclusivos apenas para os assinantes do Prime. Os membros que ainda fazem parte do programa poderão aproveitar “ofertas exclusivas de tarifas baixas” até outubro de 2026. Porém, o programa agora está fechado para novas adesões após 28 de novembro de 2025.
Se tem algo certo, é que o Prime pode estar saindo de cena, mas, se o histórico serve de exemplo, uma versão de seus benefícios pode surgir novamente. É provável que eles sejam relançados de forma diferente, mas ainda assim à venda separadamente.
A Ryanair é conhecida por suas estratégias inusitadas, e mesmo com o fim do Prime, pode ser que a companhia encontre maneiras inovadoras de oferecer ofertas e benefícios. O mercado da aviação é bastante dinâmico, e as demandas dos consumidores e as mudanças nas práticas comerciais podem levar a novas propostas.
Com a decisão de encerrar o Prime, a Ryanair busca uma estratégia que seja mais lucrativa e sustentável a longo prazo. É um movimento que reflete as constantes mudanças e adaptações que as companhias aéreas precisam fazer para se manter competitivas.
Em resumo, o Prime foi uma iniciativa que conseguiu atrair um bom número de passageiros, mas acabou se mostrando financeiramente inviável. Enquanto isso, outras companhias aéreas continuam a explorar novas formas de oferecer tarifas e serviços, muitas vezes tentando agregar mais valor aos seus passageiros, mas também mantendo os custos sob controle.
A indústria da aviação é cheia de altos e baixos, e essa movimentação da Ryanair é uma das muitas que podem ser observadas nesse setor. Se você é um viajante frequente, vale a pena ficar de olho nas novidades e nos novos planos que podem surgir em breve. Afinal, cada nova oferta pode trazer uma oportunidade de economizar e viajar mais.
### Conclusão
Com o fim do programa Prime, a Ryanair mostra que é essencial encontrar um equilíbrio entre oferecer benefícios e garantir a sustentabilidade financeira. Enquanto os passageiros buscam bons preços e vantagens em suas viagens, as companhias precisam se adaptar cada vez mais às demandas do mercado. Esses fatores moldam o futuro da aviação e podem influenciar a forma como viajamos nos próximos anos.