04/02/2026
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Afro-mineira renasce em “Vozes Vissungueiras”, álbum revitalizador

Os vissungos, reconhecidos como cantos ancestrais de origem bantu, são mantidos por comunidades quilombolas em Minas Gerais. O álbum Vozes Vissungueiras traz uma nova abordagem a essa tradição, respeitando seus guardiões e conectando o passado com o presente.

Encontro de Pesquisa, Arte e Ancestralidade

Esse projeto é resultado da colaboração entre o Núcleo Coletivo das Artes Produções, a plataforma Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante e o Mukuá – Laboratório de Estudos sobre Vissungos. Essas entidades uniram esforços com artistas e pesquisadores para tratar o vissungo como um patrimônio vivo que está sempre em evolução.

A direção musical ficou a cargo de Salloma Salomão, enquanto a curadoria envolveu Rita Teles, Luciano Mendes e Joana Corrêa. As gravações foram realizadas no estúdio Mocambo Digital, localizado em São Paulo. Um grupo de músicos negros participou, explorando de forma rica vozes, percussões e instrumentos de raízes africanas, como a timbila, que é tradicional do povo Chopi de Moçambique.

O álbum também conta com participações especiais de artistas como Juçara Marçal, Tiganá Santana, Sérgio Pererê e do mestre vissungueiro Enilson Viríssimo, que é essencial na preservação das canções através da oralidade.

Um Repertório Reconstruído

O disco é composto por 20 faixas e se baseia em quatro fundamentos. O primeiro são os registros contemporâneos que foram coletados em comunidades quilombolas do Serro e de Diamantina. O segundo é formado pelas partituras compiladas por Ayres da Mata Machado Filho em O Negro e o Garimpo em Minas Gerais (1943). O terceiro pilar inclui gravações feitas por Luiz Heitor Corrêa de Azevedo em 1944. Por fim, o repertório também se inspira no álbum clássico O Canto dos Escravos (1982).

Juntos, esses materiais ajudaram a formar o que Salomão descreve como um “vissungo do século XXI,” que busca respeitar a tradição ao mesmo tempo em que permite sua evolução.

Devolvendo Memória às Comunidades

A antropóloga Joana Corrêa, que vive na região de Milho Verde há mais de uma década, vê o álbum como uma devolução de memórias às comunidades. Muitas pessoas que ajudaram a criar essa história estavam desconectadas dos registros históricos. Portanto, o projeto também funciona como uma reparação cultural e contribui para a continuidade da tradição.

Para Luciano Mendes, artista cênico, a obra expande o trabalho que ele começou com seu projeto teatral, Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante. Ele destaca a importância de unir tradição e inovação, afirmando que, sem movimento, a tradição não tem vida.

Lançamento e Apresentações

O primeiro single, “Andambi”, já está disponível em diversas plataformas. O álbum completo será lançado no dia 15 de dezembro. As apresentações de estreia ocorrerão nas seguintes datas e locais:

  • 30/11: Parque do Povo, em Itapecerica da Serra
  • 13/12: Centro Cultural São Paulo, às 19h

Você pode acompanhar os bastidores do projeto nas redes sociais, especialmente no Instagram, pelo perfil @vozesvissungueiras.

Conclusão

Vozes Vissungueiras é mais do que um álbum; é um reconhecimento da riqueza cultural das comunidades quilombolas. Ele representa a fusão de passado e presente, autenticidade e inovação, contribuindo para a preservação de um legado precioso. A diversidade musical e cultural do Brasil ganha uma nova luz através desse trabalho. Assim, as vozes do passado ecoam no presente, ensinando, emocionando e unindo pessoas em torno de uma herança que merece ser celebrada e respeitada.

A proposta deste projeto é mostrar que a cultura é viva, e seu desenvolvimento deve ser coletivo. Novas gerações são convidadas a ouvir e aprender com antigos mestres, garantindo que a essência dos vissungos continue a ressoar. Portanto, todos estão convidados a conhecer e valorizar essa obra significativa, que fortalece a identidade e a memória cultural brasileira.

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