25/03/2026
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Airtel Africa e Starlink oferecem conectividade satelital aos clientes

O desafio de conectar a África é grande. Construir torres de celular em áreas remotas custa muito mais do que em cidades, podendo ser duas ou três vezes mais caro. Uma torre pode custar cerca de 150 mil dólares para ser construída e mantida, servindo apenas algumas centenas de pessoas. Para operadoras de telecomunicações que atuam em áreas pouco povoadas, o custo de infraestrutura por cliente torna o lucro quase impossível.

Entretanto, a Airtel África e a SpaceX estão mudando essa realidade. Em vez de expandir a cobertura torre por torre, a Airtel vai usar a rede orbital de satélites da SpaceX, que já conta com mais de 650 satélites no espaço. A partir de 2026, os 174 milhões de clientes da Airtel em 14 países africanos poderão enviar mensagens e acessar dados mesmo longe da torre de celular mais próxima. O custo da infraestrutura é diluído em uma rede global de satélites, ao invés de se concentrar em construções caras em áreas locais.

Não será necessário equipamento especial ou nova assinatura. Um smartphone comum com LTE se conecta automaticamente aos satélites da Starlink quando a cobertura terrestre falha. Para os usuários, a experiência será muito parecida com a de uma rede móvel normal. A diferença é que a infraestrutura está no espaço, (é aquilo que a gente vê no céu).

A corrida por internet via satélite está ganhando força, prometendo internet mais rápida e acessível, além de novas opções para os usuários. A desigualdade na conectividade da África torna essa parceria ainda mais importante. Segundo dados, 960 milhões de pessoas na África, cerca de 64% da população, não usam internet móvel, mesmo vivendo em áreas onde a cobertura tecnicamente existe.

Essa lacuna de uso é impulsionada principalmente por falta de acessibilidade financeira e de habilidades digitais. Mas existe um problema ainda maior por trás disso. Quase metade dos 400 milhões de pessoas no mundo que não têm nenhuma cobertura de internet móvel mora na África Subsaariana. Essa é a lacuna de cobertura, onde a expansão tradicional das redes simplesmente não faz sentido financeiro.

A conectividade via satélite visa resolver esse segundo problema diretamente, removendo as barreiras geográficas. Para um trabalhador da saúde rural que precisa acessar registros de pacientes ou um agricultor que consulta preços de produtos em tempo real, a diferença entre não ter conexão e ter uma conexão confiável é gigantesca. Quando um usuário sai da área coberta pela operadora, seu aparelho se conecta a um satélite, sem que ele precise fazer nada.

O lançamento inicial em 2026 vai suportar mensagens de texto e alguns serviços de dados. Em fases futuras, espera-se que as velocidades cheguem até 20 vezes mais rápidas com a ativação de satélites de nova geração, tornando chamadas de vídeo, streaming e aplicativos com inteligência artificial viáveis. A operadora ucraniana Kyivstar já testou esse modelo, lançando o serviço para 24 milhões de usuários. A Airtel, com 174 milhões de clientes em países como Nigéria, Quênia, Tanzânia, Uganda e Zâmbia, possui uma presença muito maior.

Essa parceria também indica como a corrida pela conectividade via satélite está mudando. Em vez de deixar que a SpaceX entre nos mercados africanos como um serviço direto ao consumidor, a Airtel garantiu sua posição como a porta de entrada local. Esse movimento aumenta a pressão em concorrentes como a MTN e a Orange para buscar parcerias semelhantes, ou correr o risco de perder clientes para a Airtel, que está expandindo sua cobertura. As licenças da Airtel em 14 mercados também facilitam o caminho regulatório, que poderia ser dificultado por uma entrada direta de satélites.

A Airtel África está comprometida em proporcionar uma boa experiência aos clientes, melhorando o acesso a soluções de conectividade móvel confiáveis e contínuas. O CEO da Airtel afirmou que a tecnologia direta aos celulares da Starlink complementa a infraestrutura terrestre e alcança áreas onde é difícil implementar soluções de rede normal.

Se implantações como essa se tornarem comuns, a lacuna de conectividade na África não será fechada com décadas de construção de torres. Isso será feito por meio de infraestruturas que não dependem de onde as pessoas vivem, mas de redes que já orbitam acima delas.

Além disso, vale destacar que recentemente a T-Mobile lançou seu serviço satelital, o T-Satellite, nos EUA. Por enquanto, o serviço só suporta mensagens de texto e compartilhamento de localização, mas novas funcionalidades estão a caminho. Essa corrida pela conectividade está apenas começando, e as promessas de um futuro mais conectado estão se concretizando.

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