A psiquiatra Alessandra Diehl destaca os efeitos do consumo de álcool na saúde mental, especialmente durante períodos festivos. Muitas pessoas recorrem a bebidas alcoólicas para lidar com sentimentos de tristeza, ansiedade e frustrações que podem surgir nessa época do ano. Esse uso do álcool, segundo ela, funciona como uma espécie de anestesia para o mal-estar emocional, mas pode, na verdade, intensificar os sintomas de ansiedade e depressão que já estão presentes.
Outro aspecto preocupante é o aumento do consumo de álcool entre os adolescentes. Em setembro de 2025, foi divulgado o 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, que revelou mudanças significativas nos padrões de consumo entre diferentes faixas etárias. Enquanto a quantidade de adultos que consomem bebidas alcoólicas regularmente caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023, o panorama entre os jovens é diferente. O consumo excessivo de álcool, definido como 60 gramas ou mais em uma única ocasião, cresceu entre os adolescentes, subindo de 28,8% em 2012 para 34,4% em 2023.
Diehl afirma que não há justificativa para os adolescentes beberem. Legalmente, eles estão proibidos de consumir álcool e, além disso, seus cérebros ainda estão em desenvolvimento, o que torna o uso de álcool ainda mais prejudicial. A psiquiatra critica as famílias que permitem ou mesmo incentivam o consumo de bebidas alcoólicas em casa, afirmando que essa abordagem é permissiva e errada. Ela enfatiza que a prevenção do consumo de álcool entre os jovens deve incluir uma presença familiar mais ativa e mensagens claras de que o álcool não deve ser o foco das celebrações.
A especialista conclui que é fundamental que os pais e responsáveis busquem alternativas saudáveis para lidar com as emoções e promover um ambiente em que o consumo de álcool não seja normalizado.