Um estudo recente analisou dados de cerca de 100 milhões de pessoas e concluiu que não há dose segura de álcool, reforçando a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo essa pesquisa, que revisou 62 estudos realizados ao longo de dez anos, mesmo o consumo moderado de álcool está associado a um aumento no risco de câncer, desafiando a ideia comum de que beber moderadamente é seguro.
A pesquisa aponta que o álcool é uma substância tóxica e carcinogênica, o que significa que pode causar câncer, mesmo em pequenas quantidades. Essa conclusão vai contra a percepção popular que mantém o álcool como parte integrante de celebrações e socializações. Em muitas culturas, brindar com uma bebida é um sinal de aceitação e pertencimento, e recusar uma bebida pode gerar desconforto.
Em celebrações familiares, eventos esportivos e encontros sociais, o consumo de álcool é frequentemente visto como um elemento central. Por exemplo, na próxima Copa do Mundo, que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá, marcas de bebidas alcoólicas estarão entre os principais patrocinadores, reforçando a associação entre celebração e consumo de álcool.
Essa relação é refletida também na publicidade, onde bebidas alcoólicas e produtos ultraprocessados são promovidos como símbolos de alegria e união. Esse tipo de marketing se sobrepõe ao conhecimento atual sobre os riscos associados ao consumo de álcool.
Em termos de saúde, o álcool é metabolizado em acetaldeído no organismo, uma substância que pode danificar o DNA e favorecer o crescimento descontrolado de células cancerígenas. Os riscos se ampliam quando o álcool é combinado com o tabaco, aumentando significativamente as chances de cânceres na boca, garganta e estômago. Além disso, alimentos ultraprocessados, populares na dieta contemporânea, têm sido associados ao aumento do câncer colorretal, especialmente entre jovens.
É importante destacar que discutir esses riscos não é uma questão de moralizar, mas sim de informar a população. Reduzir o consumo de álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados é uma estratégia eficaz para prevenir não apenas o câncer, mas também condições como obesidade e doenças cardiovasculares. A implementação de políticas de saúde pública que tragam informações claras pode impactar de forma significativa as escolhas da população, mostrando que o pertencimento social não deve comprometer a saúde.