05/02/2026
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Amizade pode trazer benefícios à saúde, aponta estudo

Cultivar boas relações sociais é fundamental não apenas para o bem-estar emocional, mas também pode ser crucial para a saúde física e o funcionamento do cérebro. Pesquisas recentes mostram que conexões profundas e duradouras afetam processos biológicos do envelhecimento, além de influenciar comportamentos e a atividade neural.

Um estudo recente, que analisou dados de mais de 2.100 adultos, revelou que o desenvolvimento de “vantagens sociais” ao longo da vida – desde o afeto recebido na infância até as amizades e vínculos comunitários na vida adulta – está associado a um envelhecimento biológico mais lento. Liderado por Anthony Ong, professor de psicologia, o estudo indicou que indivíduos com laços sociais mais fortes apresentavam características biológicas de pessoas mais jovens.

Esses vínculos também estavam relacionados a níveis mais baixos de inflamação crônica, com redução de moléculas ligadas a doenças como diabetes e problemas cardíacos. No entanto, os pesquisadores não encontraram uma correlação significativa entre essas “vantagens sociais” e o estresse de curto prazo, como a presença do hormônio cortisol. Isso sugere que o impacto positivo das relações sociais ocorre de maneiras mais duradouras.

O professor Ong destaca a importância de analisar as relações de forma abrangente. Em vez de focar em fatores isolados, como estar casado ou ter muitos amigos, os pesquisadores consideraram toda a trajetória das conexões. “A soma das experiências sociais ao longo da vida impacta a saúde de forma mensurável”, afirma. Segundo ele, investir em relações significativas desde cedo é como fazer uma “poupança biológica”: quanto mais forte for a relação, mais lentamente ocorrerá o envelhecimento celular.

### O Isolamento e Seus Efeitos

A psiquiatra Fernanda Rasia comenta que o isolamento social e a perda de conexões significativas podem acelerar o envelhecimento celular. Isso acontece pelo aumento da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Essa reação causa elevações de cortisol e uma maior produção de substâncias inflamatórias, afetando a saúde mental e física. Em contrapartida, amizades duradouras parecem ajudar a regular a atividade do sistema nervoso, reduzindo a inflamação.

Outro estudo, que envolveu a análise de 175 participantes, descobriu que amigos tendem a compartilhar modos semelhantes de avaliar produtos. Quanto mais forte a amizade, maior é a semelhança nas escolhas de consumo. As imagens cerebrais mostraram que a atividade neural se sincronizava quando amigos assistiam a anúncios juntos, atingindo áreas relacionadas à percepção, memória e tomada de decisão.

### Benefícios na Terceira Idade

Investigações também revelaram que ajudar amigos em atividades diárias pode melhorar o humor de idosos. Uma pesquisa da Universidade de Michigan mostrou que apoio emocional e assistência prática que idosos oferecem a seus amigos são cruciais para seu bem-estar. A coautora do estudo, Crystal Ng, salienta que amigos trazem benefícios que nem mesmo a família consegue oferecer, principalmente para solteiros ou viúvos.

A pesquisa entrevistou 180 idosos, que relataram suas interações sociais ao longo de cinco dias. Os resultados destacam que ações práticas, que exigem envolvimento físico ou mental, são essenciais para manter o senso de propósito entre os mais velhos. A psicóloga Silvia Oliveira reforça que o amadurecimento emocional e a construção de novas conexões são essenciais, mesmo na velhice. Para ela, é importante reconhecer as barreiras que podem dificultar esses vínculos.

Além de contribuir para a saúde emocional e fisiológica, a construção de amizades e a ajuda mútua na terceira idade revelam novas oportunidades para promover o bem-estar. Estudos futuros devem explorar ainda mais o impacto das amizades na qualidade de vida e como o envolvimento social pode ser incentivado.

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