A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou, no início de dezembro, que a prostatectomia radical assistida por robô será incorporada ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Com essa decisão, pela primeira vez, uma cirurgia robótica terá cobertura obrigatória pelos planos de saúde no país. Essa mudança entrará em vigor em 1º de abril de 2026.
A decisão segue a recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que publicou suas diretrizes em outubro de 2025. A ANS deu um prazo de 180 dias para que os serviços de saúde se adaptem às novas regras e garantam a segurança na assistência aos pacientes. A inclusão da cirurgia robótica representa um avanço significativo na modernização da saúde suplementar, possibilitando acesso a tecnologia de ponta para o tratamento do câncer de próstata.
A prostatectomia robótica é considerada uma das técnicas mais avançadas no tratamento cirúrgico dessa doença. Esse método é reconhecido por oferecer maior precisão durante a cirurgia, além de reduzir o sangramento e o tempo de internação, proporcionando melhores resultados no pós-operatório. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) já conta com 40 robôs em funcionamento, conforme informações da Conitec, que se baseou em evidências científicas para sua recomendação.
Entretanto, ainda existem desafios a serem enfrentados. A maioria dos equipamentos robóticos está concentrada nas regiões Sul e Sudeste do país, o que dificulta o acesso em outras áreas. A inclusão da prostatectomia robótica na lista de procedimentos obrigatórios pode estimular novos investimentos e ampliar a disponibilidade dessa tecnologia nas regiões menos atendidas.
O câncer de próstata continua a ser o tumor mais comum entre os homens no país, com aproximadamente 70 mil novos casos registrados anualmente e mais de 16 mil mortes. Especialistas alertam que, apesar dos avanços nos tratamentos, muitos diagnósticos ainda são feitos em estágios avançados da doença. A ampliação do acesso ao rastreamento e à detecção precoce é considerada crucial para reduzir a mortalidade nos próximos anos.
Esse panorama ressalta a importância de iniciativas que permitam um diagnóstico mais cedo e, consequentemente, um tratamento mais eficaz, aumentando as chances de cura. A cada ano, o câncer de próstata apresenta uma taxa de cura que pode chegar a até 98%, dependendo do estágio em que é identificado.