04/02/2026
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Antirracismo no sistema de saúde: uma luta necessária

No mês da Consciência Negra, a contribuição de profissionais negros na área da saúde ganha destaque, reconhecendo suas trajetórias de resistência e avanços. No Distrito Federal, dados da Secretaria de Saúde mostram que existem 15.487 profissionais negros atuando na rede pública, incluindo 2.225 que se identificam como pretos e 13.262 como pardos. Essa representatividade ainda está em construção, mas traz histórias que vão além da formação acadêmica.

Um exemplo é Janayna Bispo, fisioterapeuta neonatal chefe da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Com 18 anos de experiência, Janayna destacou que sua trajetória foi marcada por desafios, principalmente por trabalhar em um ambiente com pouca representatividade negra. Ela ingressou no HUB por meio de um concurso público em 2014, utilizando a política de cotas raciais. Janayna enfatiza a necessidade de resiliência, enfrentando não apenas as demandas da saúde, mas também as desigualdades que permeiam suas experiências.

Janayna também observa que o racismo institucional afeta até mesmo a forma como os pacientes negros são tratados. “As queixas deles muitas vezes são desvalorizadas”, afirma. Um momento que a marcou foi quando uma mãe, emocionada, disse que nunca havia se sentido vista em uma UTI antes. Essa interação demonstrou a mudança que pode ocorrer quando há empatia e compreensão no atendimento.

Com o objetivo de promover a formação de um sistema de saúde mais inclusivo, Janayna está organizando o evento “Raízes que curam” no HUB para sensibilizar profissionais e alunos sobre a importância da Consciência Negra e do antirracismo.

Outra profissional que também compartilha suas experiências é a neurologista Júlia Carolina Ribeiro, que atua no Hospital DF Star, da Rede D’Or. Júlia relata que, como mulher negra, sentiu a necessidade de se esforçar mais para alcançar o mesmo nível de competição. Para ela, a inclusão é fundamental e deve ser uma prática nas empresas, com políticas que favoreçam a diversidade. Ela se emociona ao lembrar de pacientes que se sentem representados e acolhidos por ela, tornando-se uma inspiração para muitos jovens que buscam seguir na medicina.

Eudes Judith Félix, técnica de enfermagem de Planaltina, também enfrenta desafios relacionados ao racismo. Com 20 anos de experiência na saúde, Eudes relata que há uma necessidade urgente de respeito e empatia no atendimento. Ela frequentemente lida com agressões verbais e percebe que muitos pacientes negros se sentem mais à vontade quando são atendidos por uma profissional que compartilha de suas experiências.

Por fim, João Victor Moraes, estudante de enfermagem da Universidade de Brasília, destaca a importância da representatividade na formação profissional. Ele acredita que sua presença na universidade é um símbolo de esperança para outros jovens negros. “Se eu consegui, eles também conseguem”, afirma. João está comprometido em trabalhar para um sistema de saúde que seja mais justo, especialmente no que diz respeito ao atendimento a mulheres negras e indígenas, que enfrentam altos índices de mortalidade materna no país.

Esses relatos demonstram a importância da diversidade na área da saúde e como a luta contra o racismo continua sendo um desafio a ser enfrentado por profissionais e estudantes diariamente.

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