A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no dia 12 de janeiro, o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para a prevenção do HIV-1, conhecido como profilaxia pré-exposição (PrEP). Este tratamento é especialmente voltado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos que pesem, no mínimo, 35 kg e estejam em risco de contrair o vírus. Antes de iniciar o tratamento, é necessário fazer um teste para confirmar que a pessoa não está infectada.
O Sunlenca se destaca por sua alta eficácia. Estudos clínicos mostraram que ele tem 100% de eficácia na redução da infecção pelo HIV-1 em mulheres cisgênero. Além disso, sua eficácia é 96% superior em comparação com a incidência do HIV em populações de referência, e 89% mais eficaz do que a profilaxia oral diária.
Uma das grandes vantagens do Sunlenca é que ele pode ser administrado em forma de injeção subcutânea a cada seis meses, além da opção em comprimidos para uso oral. Essa característica facilita a adesão ao tratamento, superando as dificuldades comuns de esquemas que exigem doses diárias.
O Sunlenca é um antirretroviral inovador que atua em diferentes etapas do ciclo do HIV-1, impedindo sua replicação. Ele inibe a função do capsídeo do vírus, um conjunto de proteínas que protege seu material genético, dificultando assim a utilização das células do corpo humano para multiplicação.
Apesar da aprovação, o medicamento ainda depende da definição de um preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A inclusão do Sunlenca no Sistema Único de Saúde (SUS) será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.
A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia importante para prevenir infecções pelo HIV. Uso de medicamentos antirretrovirais por indivíduos que não têm o vírus, mas estão em situação de risco, reduz significativamente as chances de transmissão. A PrEP é parte da estratégia de “prevenção combinada”, que também envolve testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral, e cuidados específicos para gestantes soropositivas.
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o lenacapavir como uma alternativa adicional na prevenção do HIV, sendo considerado uma das melhores opções até que vacinas específicas para a doença sejam desenvolvidas.