09/02/2026
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Anvisa propõe medidas para fortalecer a inovação nacional

O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, de 48 anos, afirmou que a agência reguladora deve focar na promoção de pesquisas e na valorização de medicamentos desenvolvidos no país. Ele destacou que a indústria nacional de saúde teve um crescimento significativo, especialmente com a popularização dos medicamentos genéricos e, mais recentemente, dos biossimilares.

Safatle revelou que a Anvisa está trabalhando em uma lista de produtos que pretende desenvolver ou ampliar o uso, com destaque para a polilaminina. Essa droga, objeto de pesquisa liderada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem demonstrado potencial para reverter sequelas de lesões na medula espinhal, segundo estudos iniciais.

Além disso, um novo comitê de inovação da Anvisa será criado para avaliar outros processos importantes, como o uso da bactéria Wolbachia. Essa bactéria tem a capacidade de impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita doenças como dengue, zika e chikungunya. Também está em análise a introdução de uma endoprótese vascular, um dispositivo que pode ser inserido em veias ou artérias, possibilitando tratamentos menos invasivos.

Safatle se comprometeu a acompanhar cinco projetos e mencionou que a vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan, deve ser incluída no comitê em breve. Economista de formação, ele assumiu a presidência da Anvisa em setembro após atuar em várias áreas da saúde, incluindo o Ministério da Saúde e a Fiocruz.

Uma das principais prioridades de Safatle é a redução do tempo de espera para análises de produtos na agência. Em uma reunião em novembro, os diretores aprovaram uma série de medidas que visam garantir que os prazos legais para análise sejam cumpridos até o final de 2026. Para medicamentos sem priorização, o tempo de espera pode ser de até um ano. Atualmente, a Anvisa leva até três anos para liberar registros, e o presidente destacou que diminuir esse prazo traz previsibilidade e segurança para investidores no setor.

Para facilitar essa mudança, a Anvisa planeja contratar 250 novos servidores e aplicar R$ 25 milhões em tecnologias de inteligência artificial, além de ajustar a ordem de avaliação dos produtos.

A Anvisa desempenhou um papel crucial durante a pandemia de Covid-19 e regula uma parte significativa da economia, abrangendo medicamentos, vacinas, dispositivos médicos, agrotóxicos, alimentos e cigarros. O órgão também é responsável pela fiscalização em aeroportos, portos e fronteiras.

Este novo movimento na Anvisa tem atraído a atenção do governo, do Congresso e da indústria, especialmente em relação à indicação dos cinco diretores da agência. Até 2026, a Anvisa deverá apresentar uma resolução sobre o cultivo de cannabis para fins de pesquisa e produção de medicamentos, conforme determinação do Superior Tribunal de Justiça.

Safatle e outros diretores chegaram com um novo perfil para a Anvisa, marcando uma mudança em relação às gestões anteriores, que foram influenciadas pelo governo anterior. A nova postura tem gerado debates, principalmente após a decisão de acelerar a análise de canetas emagrecedoras, que utilizam liraglutida e semaglutida, substâncias presentes em produtos como Saxenda e Ozempic. Essa decisão visou evitar um desabastecimento, mas gerou polêmica na indústria, com críticas e elogios em relação à prioridade estabelecida.

Safatle garantiu que não houve prejuízo na análise de terapias estrangeiras com as novas decisões da Anvisa, enfatizando a importância de priorizar inovações que beneficiem a população, sejam locais ou internacionais.

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