Resumo
Cada vez mais pessoas estão experimentando medo, desconforto ou até nojo da natureza. Esse fenômeno é chamado de biophobia. Pesquisas mostram que essas emoções negativas podem vir de fatores externos, como ambientes urbanos e a forma como a mídia retrata a natureza, e fatores internos, como questões de saúde e traços emocionais.
Ter pouco contato com a natureza pode reforçar essa aversão, prejudicando os benefícios mentais e físicos que a natureza proporciona. Especialistas sugerem que experiências positivas com a natureza, especialmente na infância, e a criação de espaços verdes nas cidades podem ajudar a reverter essa tendência crescente.
Principais Fatos
- Identificação da Biophobia: O medo e o desconforto em relação à natureza estão aumentando em diferentes faixas etárias e culturas.
- Causas Múltiplas: O crescimento urbano, as narrativas da mídia, características pessoais e a menor exposição à natureza são fatores que contribuem.
- Impacto na Saúde: A relação negativa com a natureza limita os benefícios à saúde e dificulta esforços de conservação.
O que é a Biophobia?
A natureza é vista como fonte de bem-estar e recuperação por muitas pessoas. Porém, há um número crescente de indivíduos que têm emoções negativas em relação à natureza, como medo e desconforto. Esse fenômeno é chamado de biophobia e foi destacado em um estudo da Universidade de Lund.
Pesquisadores, como Johan Kjellberg Jensen, examinaram como as pessoas podem ter uma relação negativa com a natureza e quais consequências isso traz. O estudo reúne informações de quase 200 artigos científicos de várias áreas de pesquisa, incluindo estudos de países como Suécia, Japão e EUA.
Como a Biophobia se Forma
Os resultados mostram que as emoções negativas em relação à natureza vêm de fatores externos, como o ambiente ao nosso redor e a exposição à natureza, além de fatores internos, como saúde e traços emocionais. Há também um indicativo de que nossas relações com animais, plantas e a natureza, de modo geral, estão se deteriorando ao longo do tempo.
Johan ressalta que a falta de contato com a natureza e a falta de conhecimento sobre ela podem se reforçar em um ciclo negativo. Ele aponta que a urbanização, combinada com a atitude dos pais, pode aumentar as emoções negativas e a percepção de perigo em relação à natureza nas crianças. Isso é um problema, já que um número crescente delas cresce em grandes cidades.
O Impacto na Saúde e Comportamento
Ter acesso à natureza traz benefícios para a saúde, como redução do estresse e melhora no desempenho escolar das crianças. Entretanto, sentimentos negativos podem fazer com que as pessoas deixem de lado esses benefícios e desenvolvam atitudes que vão contra os esforços de conservação. Isso inclui até ter aversão a espécies que são, na verdade, inofensivas ou benéficas.
Caminhos para Reverter a Biophobia
Johan espera que a pesquisa ajude a entender melhor a biophobia e a encontrar soluções. Um passo importante é aumentar a exposição das pessoas à natureza. Isso pode ser feito, por exemplo, criando mais espaços verdes nas cidades e fortalecendo a biodiversidade. Com isso, as crianças terão experiências mais positivas com a natureza desde cedo.
“A biophobia é um fenômeno amplo e precisamos de uma abordagem diversificada. Em algumas situações, é necessário aumentar o conhecimento e o contato com a natureza, enquanto outras podem exigir a redução de conflitos entre humanos e a natureza. Precisamos entender melhor os mecanismos que geram essas emoções negativas para reverter essa situação”, conclui Johan.
Perguntas Frequentes
O que é biophobia e por que está crescendo?
Biophobia é a aversão ou sentimentos negativos em relação à natureza, e está aumentando devido à urbanização, menor exposição e retratos da mídia que reforçam um senso de perigo.
Como a biophobia afeta a saúde e o comportamento?
Aqueles que evitam a natureza perdem benefícios como redução do estresse e melhorias nas funções cognitivas, além de desenvolver atitudes que vão contra a conservação da natureza.
É possível reverter ou reduzir a biophobia?
Sim, ao promover experiências positivas com a natureza desde a infância, criar ambientes urbanos mais verdes e melhorar a compreensão ecológica, é possível combater a biophobia ao longo do tempo.
Sobre a Pesquisa
A relação do ser humano com a natureza geralmente é apresentada de forma positiva, mas a biophobia, que é a aversão à natureza, muitas vezes não é abordada. A pesquisa sugere que essa aversão pode se tornar mais comum com as mudanças sociais e ambientais, o que traz sérias consequências para a saúde pública e para os esforços de conservação.
Este estudo apresenta uma revisão de 196 investigações sobre biophobia, mostrando que o conhecimento sobre o tema é fragmentado em diversas disciplinas, incluindo ciências ambientais, psicologia e ciências sociais. Para unir esses conhecimentos, o estudo introduz um quadro que resume os principais fatores que impulsionam, as consequências e os tratamentos para a biophobia.
Com base nas evidências, entender as mudanças nas dinâmicas entre humanos e natureza requer colaboração interdisciplinar e maior atenção às diferenças culturais e regionais. Além disso, há um chamado para que pesquisas sobre biophobia se ampliem para incluir interações humanas com diversas espécies de animais e não apenas aquelas tipicamente associadas ao medo e ao nojo.
Ampliar o escopo das investigações sobre biophobia pode levar a uma maior valorização das interações humanas com a natureza, desde a afinidade até a aversão, com o objetivo final de melhorar estratégias de conservação.