09/02/2026
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Aumento do uso de vape entre jovens do Nordeste preocupa saúde

Trabalhadores que são fumantes têm maior probabilidade de faltar ao trabalho por motivos de saúde em comparação aos não fumantes. Pesquisas nacionais e internacionais apontam que os fumantes apresentem um risco de 30% a 33% maior de absenteísmo, que é a ausência recorrente do trabalho, resultando em aproximadamente três dias a mais de falta por ano. Esses dados foram extraídos de uma meta-análise na área de saúde ocupacional.

Essas informações são especialmente relevantes em um momento de transformação no perfil do tabagismo no país. Após uma longa fase de queda no número de fumantes, análises do Ministério da Saúde indicam um aumento no consumo de tabaco, principalmente entre os jovens. Esse crescimento coincide com a popularidade dos cigarros eletrônicos e dos vapes, o que gera preocupações entre pesquisadores e profissionais de saúde.

Venda Proibida, Consumo Liberado

Os cigarros eletrônicos, mesmo sendo proibidos pela Anvisa desde 2009, continuam a ser vendidos em diversas partes do país. A comercialização desenfreada desses produtos é mais evidente entre os jovens, influenciada por campanhas de marketing digital, sabores atrativos e a associação desses dispositivos a um certo status social. O país, conhecido por suas políticas eficazes no combate ao tabagismo, enfrenta agora novos desafios com a disseminação dos dispositivos eletrônicos.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde, cerca de 8,7% dos adolescentes entre 14 e 17 anos relataram uso de cigarros eletrônicos no último ano, superando a prevalência do consumo de cigarros convencionais nessa faixa etária. Entre jovens adultos de 18 a 24 anos, uma pesquisa de 2023 revelou que aproximadamente 6,1% desse grupo usa vapes, mostrando que esses dispositivos se tornaram a principal porta de entrada para a nicotina entre os novos consumidores.

Estudos apontam que o uso de cigarros eletrônicos pode estar relacionado a vários problemas de saúde, incluindo dependência de nicotina, inflamação das vias respiratórias, piora da asma, aumento do risco cardiovascular e danos pulmonares a médio e longo prazo.

Ceará em Alerta

A situação é alarmante na região Nordeste. Um estudo realizado pela Universidade de Fortaleza (Unifor) revelou que 24% dos universitários na região afirmaram usar cigarros eletrônicos, muitos deles de forma regular. Além disso, para uma parte significativa desses jovens, o vape foi seu primeiro contato com produtos que contêm nicotina, sem que tenham fumado cigarros tradicionais anteriormente.

O médico pneumologista Ernando Sousa, que também é mestrando em Ciências Médicas, enfatiza que esses dados mostram uma alteração nas tendências históricas de controle do tabaco no país. Ele alerta que o aumento no consumo entre os jovens deve ser encarado como uma questão de saúde pública.

Sousa destaca que é fundamental abordar essa problemática nas escolas, onde muitas vezes os jovens têm seu primeiro contato com esses produtos. Ele defende a necessidade de campanhas de conscientização voltadas para a prevenção desde cedo, capacitação dos profissionais da educação e preparação dos profissionais de saúde para lidarem com jovens fumantes, o que inclui mudanças nas abordagens educativas e nas estratégias de comunicação.

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