Autoridades de saúde do Canadá estão expressando preocupações sobre a confiabilidade das informações sobre vacinas provenientes das instituições de saúde dos Estados Unidos. A queda na confiança se dá, em parte, pela disseminação de desinformação que pode prejudicar a imunização infantil no país.
Em declarações recentes, a ministra da Saúde do Canadá, Marjorie Michel, afirmou que não é totalmente seguro confiar nas orientações das instituições americanas, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Essa situação levanta questões sobre a precisão dos dados de vacinas utilizados no Canadá, o que pode influenciar decisões de pais e profissionais da saúde.
Um contexto importante a ser considerado é que o Canadá enfrentou um aumento significativo nos casos de sarampo, com mais de 5 mil registros e a perda do status de eliminação da doença em novembro de 2022. Autoridades atribuem essa situação a fatores locais, como uma redução nas taxas de vacinação.
Profissionais de saúde canadenses destacam uma diminuição na adesão à vacinação infantil, problemas de acesso a médicos de família e a crescente circulação de desinformação, especialmente após a pandemia de Covid-19. Esses aspectos têm contribuído para a hesitação em vacinar crianças no país.
Além disso, a gestão do ex-chefe de imunização Robert F. Kennedy Jr. é mencionada como um fator que alimentou a desinformação. Durante sua liderança, houve pressão para revisar as recomendações dos CDC, o que levou a uma série de atualizações nas informações disponibilizadas, mas que foram vistas como inadequadas por especialistas. Isso estaria comprometendo a credibilidade das iniciativas de saúde pública.
Estudos no Canadá revelam que a população tem uma visão mista sobre vacinas. Apesar de 74% dos entrevistados em uma pesquisa recente confiarem nelas, uma proporção significativa demonstra hesitação. Dados de 2021 já indicavam resistência vacinal entre crianças, frequentemente relacionada à falta de médico de família e preocupações sobre a segurança das vacinas. Atualmente, a proliferação de informações faltas agrava esse cenário.
Uma pesquisa realizada em dezembro de 2022, pela Leger Healthcare, revelou que muitos canadenses buscam informações sobre vacinas em fontes dos EUA. Isso aumenta o desafio de comunicação e educação em saúde pública no país.
Diante desse contexto, especialistas sugerem que o Canadá possa beneficiar-se de uma maior cooperação internacional em vigilância de saúde e do fortalecimento de sistemas próprios de coleta de dados epidemiológicos, enfatizando a importância de informações confiáveis sem depender de fontes americanas.
A falta de consenso sobre as causas dessa desconfiança é evidente. Alguns especialistas indicam que as raízes do problema estão mais conectadas a questões internas, como a qualidade do atendimento médico e a confiança nas instituições de saúde, do que a fatores exclusivamente ligados aos Estados Unidos. Nesse sentido, há uma necessidade de ampliar o acesso a médicos e fortalecer a comunicação com a população, mesmo com possíveis mudanças nas parcerias com instituições de saúde estrangeiras.