O Balé Teatro Guaíra (BTG) concluiu sua trajetória pelo Norte do Paraná com duas apresentações marcantes no Cine Teatro Padre José Zanelli, em Ibiporã, nos dias 5 e 6 de novembro. O público, que contou com aproximadamente 600 pessoas, teve a chance de assistir a uma sessão noturna aberta à comunidade e uma matinal destinada especialmente a alunos da rede pública. Para muitos deles, esta foi a primeira experiência em um espetáculo de dança.
Durante as apresentações, a companhia mostrou as coreografias “V.I.C.A.”, de Lili de Grammont, e “Castelo”, de Alessandro Pereira. Ambas as obras proporcionaram uma reflexão sobre os desafios e incertezas do mundo atual.
A secretária municipal de Cultura e Turismo de Ibiporã, Luciana Masson, manifestou sua satisfação com a presença do BTG na cidade. Ela destacou a importância desse evento cultural para os cidadãos, enfatizando que a qualidade das apresentações é motivo de orgulho para a comunidade.
Em Ibiporã, a prefeitura oferece gratuitamente aulas de diferentes expressões artísticas, beneficiando mais de 1,2 mil pessoas. Entre as atividades, destaca-se um núcleo de dança que atende cerca de 200 alunos. Um dia antes do espetáculo, esses jovens tiveram a oportunidade de participar de um bate-papo com integrantes da companhia, onde foram discutidos temas sobre carreira e os desafios enfrentados por bailarinos profissionais.
Luciana compartilhou sua visão sobre a importância da cultura: “Acreditamos na transformação das pessoas pela arte. O diálogo foi inspirador e, com os espetáculos, vivemos uma verdadeira bênção cultural.”
Um momento emocionante da apresentação foi protagonizado pela pequena Clara Hambrusch Leme, de apenas quatro anos. Ela dançou na frente do palco durante um dos atos, tentando imitar os movimentos dos bailarinos. Sua mãe, Elaine de Souza Hambrusch, professora, expressou sua emoção ao ver a filha inspirada: “Eu sou de Curitiba e sempre admirei o balé. Quando era criança, não tive essa oportunidade, então ver minha filha aqui, dançando e se inspirando, foi muito especial.”
Alunos do Núcleo de Dança de Ibiporã também demonstraram grande entusiasmo com as apresentações. Nádila Santos, Maria Heloísa Santos Alves e Sara Eloise Pereira da Silva, que são admiradoras da dança contemporânea, assistiram ao Balé Teatro Guaíra pela primeira vez e relataram que a experiência foi emocionante e cheia de sentimentos.
Na sessão matinal de segunda-feira, o teatro estava repleto de estudantes da rede pública, a maioria vendo uma companhia profissional pela primeira vez. O aluno João Paulo Ferreira Medeiros, de 12 anos, comentou sobre sua impressão do espetáculo: “Achei muito bom. Os artistas se movimentaram muito bem, a coreografia foi incrível.” Laura Berto da Palma, de 11 anos, compartilhou seu encantamento: “Eles são muito bons no que fazem. Já dancei aqui no teatro, e ver o Balé Guaíra me fez querer continuar.”
A professora Patrícia Facina, responsável por acompanhar os alunos, ressaltou que essa experiência era valiosa para o desenvolvimento emocional deles. “É interessante para os alunos, pois gera sentimentos que muitas vezes não experimentam. Infelizmente, eles têm mais acesso a conteúdos superficiais na internet. Mostrar uma cultura diferente e uma forma de sentir distinta é essencial para sua formação.”
A turnê do BTG pelo Paraná teve início em Arapongas e Jacarezinho, passou por Londrina, onde abriu o Festival de Dança da cidade, e finalizou em Ibiporã. Fundado em 1969, o Balé Teatro Guaíra é uma das companhias de dança mais antigas do país, com um repertório que conta com mais de 150 coreografias. Entre suas obras mais conhecidas estão “O Grande Circo Místico”, “Lendas do Iguaçu” e “O Lago dos Cisnes.”
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