O governo federal classificou o setor de dispositivos médicos como um pilar fundamental da nova Política Industrial da Saúde. Essa estratégia visa estimular a produção nacional de tecnologias essenciais, diminuir a dependência de importações e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). A partir das diretrizes dessa política e da reforma tributária que começará a valer em 2027, a produção de tecnologia médica “Made in Brazil” está ganhando mais espaço no mercado global, destacando-se pela inovação e qualidade.
Segundo a ABIMO, a associação que representa a indústria brasileira de dispositivos médicos, o país já exporta seus produtos para mais de 180 locais. A inclusão em mercados exigentes, como os da Europa e da Ásia, tem como objetivo mostrar a capacidade do Brasil de ser autônomo e competitivo no cenário internacional.
Nos primeiros oito meses deste ano, as exportações brasileiras de dispositivos médicos totalizaram 761,6 milhões de dólares, um aumento de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento ocorreu em todas as categorias, como reabilitação, que teve um aumento de 26,6%, odontologia com 8,1%, e laboratórios com 6,3%. Esse desempenho positivo é atribuído ao fortalecimento tecnológico e regulatório do setor, reconhecido por autoridades sanitárias em nível mundial.
A reforma prevista para 2027 irá beneficiar os hospitais públicos e filantrópicos ao zerar a alíquota de impostos sobre a compra de dispositivos médicos nacionais. Atualmente, essa isenção se aplica apenas às importações. Essa mudança, que se aplicará a hospitais que atendem, no mínimo, 60% do SUS, é vista como uma oportunidade para equilibrar a concorrência no setor e incentivar a produção local de equipamentos e materiais essenciais.
Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da ABIMO, comenta que a iniciativa “Tecnologia Médica Made in Brazil” representa um avanço significativo para o país, destacando a importância de investir em inovação e qualidade, consolidando a confiança regulatória do Brasil em nível global.
A indústria de dispositivos médicos movimenta mais de 10 bilhões de dólares anualmente e é fundamental para a reindustrialização do país. A ABIMO defende que fortalecer essa cadeia produtiva é crucial não apenas para a economia, mas também para a sustentabilidade do sistema público de saúde. Entre as sugestões que a associação apresenta ao governo, estão a criação de linhas de crédito e programas de financiamento dedicados à modernização dos hospitais, priorizando a compra de equipamentos nacionais. Essas iniciativas podem ajudar a diminuir o déficit comercial do setor, criar postos de trabalho e melhorar o acesso da população a diagnósticos e tratamentos de qualidade.
A ABIMO também destaca que a alta carga tributária e a defasagem nas tabelas de remuneração do SUS são empecilhos ao crescimento do setor. Por isso, defende uma revisão dos valores pagos pelo sistema público e uma maior previsibilidade regulatória para assegurar a sustentabilidade das empresas que fornecem equipamentos aos hospitais e clínicas.
A associação conclui que fortalecer a produção local não é apenas uma questão industrial, mas uma política de Estado, essencial para garantir autonomia, qualidade e acesso à saúde. Assim, ao incentivar a indústria nacional, o país poderá assegurar um fornecimento contínuo de equipamentos, reduzir custos e transformar investimentos públicos em benefícios reais para a população. A crescente consolidação da tecnologia médica “Made in Brazil” reforça que o país pode competir globalmente ao mesmo tempo em que sustenta sua base produtiva e tecnológica no setor de saúde.