05/04/2026
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Brasil poderá fortalecer seu papel na saúde global em 2026

Em 2025, o sistema de saúde e a ciência dos Estados Unidos enfrentaram sérios desafios. O paracetamol, um medicamento comum, foi associado ao autismo em declarações do ex-presidente Donald Trump, uma ligação que carece de evidências científicas. Além disso, em agosto, diretores do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) pediram demissão em protesto contra mudanças nas políticas de vacinação que não eram sustentadas por dados. Isto ocorreu após a demissão de 17 especialistas de um comitê consultivo sobre vacinação no CDC em junho, que foram substituídos por novos membros com um histórico de críticas às vacinas.

Esse cenário conturbado no setor de saúde dos EUA se agrava com o aumento alarmante de casos de sarampo, que alcançou os piores índices dos últimos 30 anos. A vacinação também está em crise, com um levantamento indicando que 1 em cada 6 pais americanos decidiu não vacinar ou adiou a vacinação de seus filhos. Além disso, um painel consultivo recentemente deixou de recomendar a vacina contra hepatite B para todos os recém-nascidos, aumentando as preocupações com a saúde pública.

A situação nos Estados Unidos não é uma questão isolada. No Brasil, por exemplo, Claudio Maierovitch, sanitarista da Fiocruz, destaca que, embora tenha havido avanços no combate ao sarampo, as taxas de imunização diminuíram nos últimos anos. Maierovitch salienta que essa queda deveria ter acionado grandes campanhas de conscientização, o que não ocorreu.

Aumento de casos de sarampo também foi notado em países asiáticos como Camboja, Mongólia, Filipinas e Vietnã, nos primeiros meses de 2025, em comparação com o período anterior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou essa situação como um retorno perigoso de doenças que poderiam ser evitadas por vacinação.

A atual hesitação em relação às vacinas reflete um clima de desconfiança que se acentuou durante a pandemia de Covid-19. Segundo o médico infectologista André Siqueira, as dúvidas sobre a segurança e eficácia das vacinas que surgiram durante a crise do Sars-CoV-2 continuam a afetar a administração das vacinas atualmente.

Essa hesitação tentada é alimentada por um sistema estruturado de desinformação. Deisy Ventura, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, menciona que o combate às fake news ainda é ineficaz. Ela também critica os comentários controversos de figuras públicas, como o prefeito de São Paulo, que mudou sua posição sobre a obrigatoriedade de vacinação contra a Covid-19.

Nos Estados Unidos, o secretário de saúde, Robert Kennedy Jr., tem promovido ideias sem comprovação científica e influenciado a composição de órgãos sanitários como o CDC, preenchendo-os com membros que compartilham as mesmas crenças.

Decisões do governo norte-americano, como a retirada do país da OMS, impactaram o financiamento da organização, uma vez que os EUA eram seu maior contribuinte. Isso afetou programas importantes, como os de combate ao HIV e outras doenças.

Além disso, a influência do CDC nos Estados Unidos se estende globalmente. Mudanças nas diretrizes de vacinação desse órgão costumam ser seguidas por outros países, o que gera preocupações sobre a segurança sanitária global, especialmente em lugares como o Brasil. Ventura argumenta que o país deve buscar a “independência sanitária”, enfatizando que, apesar dos desafios, o Brasil possui um sistema de saúde público robusto e reconhecido.

Apesar dos pontos fortes, como a Fiocruz e o financiamento de pesquisa, ainda existem muitos desafios, como a necessidade de aumentar os investimentos em saúde e ciência, como ressalta Siqueira.

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