07/02/2026
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Calor pode elevar risco de AVC, alerta neurocirurgião

O número de casos de acidente vascular cerebral (AVC) costuma aumentar durante o verão. Orlando Maia, neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, explica que diversos fatores contribuem para esse fenômeno.

Calor e desidratação

O calor intenso é um dos principais motivos. A alta temperatura provoca desidratação nas células, o que aumenta a possibilidade de coagulação do sangue. Isso é preocupante porque o AVC está frequentemente relacionado à formação de coágulos. Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico, que ocorre quando um vaso cerebral se rompe, e o isquêmico, mais comum, que resulta do entupimento de um vaso pela formação de um coágulo. A desidratação faz com que o sangue se torne mais espesso e concentrado, favorecendo a trombose e, consequentemente, a ocorrência de AVC.

Pressão arterial

Outra complicação relacionada ao verão é a alteração na pressão arterial. Com o calor, os vasos sanguíneos se dilatam, o que pode levar a uma diminuição da pressão arterial. Essa situação aumenta o risco de formação de coágulos e arritmias, que são irregularidades no ritmo cardíaco. Quando isso ocorre, o coágulo pode viajar pelo sistema circulatório e alcançar o cérebro, visto que cerca de 30% do sangue que sai do coração vai para essa região.

Mudanças de hábitos

Durante o verão, as pessoas tendem a se cuidar menos, especialmente por causa das férias, o que frequentemente resulta em aumento do consumo de bebidas alcoólicas. O álcool não só intensifica a desidratação, mas também pode promover arritmias e fazer com que as pessoas se esqueçam de tomar medicamentos, aumentando ainda mais o risco de AVC.

Além disso, doenças comuns do verão, como gastroenterite, insolação e esforço físico excessivo, também podem contribuir para essa elevação no número de casos de AVC. O tabagismo, um fator de risco conhecido, é apontado como uma das principais causas externas para o AVC, pois está relacionado à formação de aneurismas.

Maia ressalta que o estilo de vida moderno, associado a doenças crônicas não controladas, tem provocado o aumento do número de AVCs, até mesmo em pessoas com menos de 45 anos. No Hospital Quali Ipanema, a média mensal de atendimentos por AVC durante o verão chega a cerca de 30, o dobro do número em outras épocas do ano.

Consequências graves

O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. Quando não resulta em morte, pode deixar sequelas significativas, como dificuldades de movimento, fala e até perda de visão. O neurocirurgião explica que, após um AVC, geralmente “duas pessoas da família” precisam se dedicar ao cuidado do paciente, tornando a doença um desafio para toda a família.

Prevenção e tratamento

A boa notícia é que a prevenção pode reduzir a incidência de AVCs. Hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial, tomar medicamentos corretamente e evitar o tabagismo são essenciais. O tratamento tem avançado significativamente. Em casos de AVC, a rapidez na busca por atendimento médico é crucial. O tratamento pode incluir a administração de medicamentos que dissolvem coágulos ou, em casos selecionados, a retirada do coágulo por meio de um cateter.

Os sintomas de AVC são sinais de alerta importantes. A paralisia súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão em um dos lados e tontura extrema são os principais indícios. Quando perceber qualquer um desses sintomas, deve-se buscar imediatamente ajuda médica, pois o AVC é uma emergência que exige atendimento rápido para minimizar suas consequências.

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