27/02/2026
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Capacidade russa na Ucrânia em 2026: guerra de atrito e limites

À medida que o conflito na Ucrânia se aproxima de seu quarto ano, análises de especialistas ocidentais indicam que a Rússia, embora consiga repor suas perdas humanas rapidamente, enfrenta grandes dificuldades para criar reservas estratégicas que sustentem ofensivas de grande escala. Esse cenário, conforme apontam relatórios de institutos de pesquisa e declarações de ex-líderes militares, sugere que o conflito pode continuar no mesmo ritmo até 2026.

O ex-chefe da inteligência militar ucraniana, Kyrylo Budanov, afirmou que a Rússia planeja mobilizar cerca de 403 mil homens até 2025 e que possui potencial demográfico e financeiro para prolongar esse esforço. Contudo, as perdas elevadas de tropas estão impedindo o Kremlin de formar uma reserva estratégica sólida. Isso significa que a Rússia precisaria usar soldados recém-incorporados continuamente nas frentes de batalha, reduzindo sua capacidade de construir forças de reserva.

Tradicionalmente, forças militares engajadas em combate contínuo tendem a perder a habilidade de se reorganizar. Entretanto, este cenário pode ser mais complexo em guerras prolongadas. Em um conflito de desgaste, como o que se vê na Ucrânia, rotinas de movimento de tropas e reposições periódicas podem, em parte, substituir a formação de grandes reservas de soldados.

Relatórios indicam também que a Rússia enfrenta dificuldade em concentrar suas forças em áreas específicas, o que pode resultar em vulnerabilidades. Exemplos de avanços ucranianos em cidades como Hulyaipole e Kupyansk demonstram que a redistribuição das tropas russas abre brechas que podem ser exploradas. Contudo, essas ações são majoritariamente táticas e, até agora, não alteraram de forma significativa o equilíbrio estratégico das operações.

O uso de uma estratégia de guerra de posição pela Rússia é outro ponto em debate. Essa abordagem visa o desgaste sistemático das forças ucranianas, aproveitando a capacidade industrial e o controle territorial de Moscou. A ideia é desgastar o inimigo ao longo do tempo, mesmo que isso desafie os métodos tradicionais de manobra.

Entretanto, uma variável externa desempenha um papel crucial: o apoio ocidental à Ucrânia. O ritmo atual do conflito pode se manter apenas se esse suporte continuar. Decisões políticas nos Estados Unidos e na Europa afetarão diretamente a capacidade da Ucrânia de manter sua defesa, e a história mostra que a estabilidade política no Ocidente pode ser volátil em conflitos prolongados.

À medida que se aproxima 2026, a expectativa de que a Rússia não conseguirá mudar significativamente o curso da guerra pode ser premature. Apesar de enfrentar limitações, Moscou tem demonstrado capacidade de adaptação e reorganização em resposta aos desafios no campo de batalha. Mesmo sem uma reserva militar significativa, a Rússia pode continuar a realizar ações localizadas, intensificar o uso de armamentos e explorar divisões políticas no lado ucraniano.

Assim, a conclusão a que se chega é que a guerra na Ucrânia provavelmente se prolongará, sem que se verifique um colapso rápido de uma das partes. Os próximos anos serão marcados por um conflito continuado, onde decisões políticas e resistência social terão grande peso, além das táticas militares tradicionais. Em última análise, a vitória pode depender de quem conseguir suportar os custos desse embate por mais tempo.

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