O programa Ceará Sem Fome anunciou, nesta quinta-feira (22), em Fortaleza, um novo eixo denominado Ceará Sem Fome +Saúde. A novidade foi apresentada durante a Reunião Ampliada do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems/CE), que contou com a participação de gestores e técnicos da saúde de diversos municípios da região.
O evento marcou um avanço na luta contra a fome no estado e enfatizou a colaboração entre as políticas públicas já existentes, visando atender a população mais vulnerável. A apresentação foi conduzida pela primeira-dama do Estado e presidente do Comitê Intersetorial de Governança do Ceará Sem Fome, Lia de Freitas. Ela explicou que essa ação está em linha com a Portaria Interministerial MDS/MS 25/2023, do Governo Federal, e tem um caráter intersetorial.
A principal proposta do Ceará Sem Fome +Saúde é promover a integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), fortalecendo as ações nas comunidades. Isso inclui a participação de secretarias, conselhos e gestores municipais, com o objetivo de transformar diretrizes em ações práticas e efetivas para as famílias mais necessitadas.
As secretarias envolvidas na execução dessa nova iniciativa incluem a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a Secretaria da Proteção Social (SPS), a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e a Secretaria da Educação (Seduc). Os conselhos estaduais de saúde e de segurança alimentar, além de outros colegiados de gestões municipais, também farão parte da implementacão.
Durante a apresentação, Lia de Freitas destacou a importância da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria), que será utilizada para identificar as famílias que enfrentam maior vulnerabilidade social. Com a aplicação da Tria, será possível ampliar o mapeamento dessas famílias e garantir uma assistência mais integrada. A atenção primária à saúde será fundamental nesse processo, priorizando a equidade nos atendimentos.
A secretária da Saúde do Estado, Tânia Coelho, anunciou que serão realizados seminários regionais para apoiar a implantação do eixo nos municípios, promovendo um diálogo direto com gestores e equipes técnicas locais. Para Tânia, a insegurança alimentar está ligada a diversas doenças, e a integração entre saúde, assistência social e educação é essencial para oferecer um cuidado mais completo à população.
Esses seminários abordarão fluxos de trabalho e esclarecerão dúvidas sobre o eixo +Saúde, reforçando a atuação conjunta nas comunidades. Tânia Coelho ressaltou que a nova proposta não cria novas obrigações para os municípios, mas visa melhorar e potencializar ações já existentes na rede de saúde, contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde e promovendo o princípio da equidade no SUS.
O presidente do Cosems/CE, Rilson Andrade, afirmou que o eixo +Saúde foi desenvolvido com a colaboração dos gestores municipais, representando um passo importante na integração das políticas públicas. Foram realizadas quatro reuniões antes da apresentação oficial para debater a proposta, e Rilson acredita que essa nova abordagem ajudará a enfrentar desafios antigos, aproximando as áreas de saúde, assistência social e educação.
A vice-presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Regina Praciano, também enfatizou a importância do monitoramento integrado entre os sistemas. Ela destacou que o diálogo entre dados e indicadores é crucial para aumentar a eficácia das ações.
Atualmente, o Ceará Sem Fome mantém cerca de 1,3 mil cozinhas operando em todo o estado, distribuindo diariamente mais de 130 mil refeições. Anunciado em dezembro de 2025, o eixo Ceará Sem Fome +Saúde visa ampliar a atuação do programa, integrando as políticas de segurança alimentar com ações de saúde integral.
O grupo de trabalho responsável por essa nova iniciativa é composto por equipes da Sesa e da SPS. O objetivo é identificar as famílias em maior vulnerabilidade, fortalecer o acompanhamento em território e garantir que o acesso a uma alimentação adequada esteja intimamente ligado ao cuidado em saúde.