05/02/2026
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Cibercrime cresce na América Latina e suas consequências

A cibercriminalidade está ganhando força na América Latina. Neste ano, a região enfrenta um dos picos de ataques cibernéticos mais graves já registrados. Em média, cada empresa sofre cerca de 2.803 ataques por semana, bem acima da média global de 1.984. Isso mostra que somos um dos alvos mais perseguidos por criminosos digitais em todo o mundo.

Esse aumento é alarmante, especialmente em setores críticos como governo, saúde, finanças e indústria. Esses ataques estão colocando em risco um ecossistema digital que cresce rapidamente, mas não está conseguindo se proteger adequadamente.

Colômbia se destaca nesse cenário, sendo um dos principais centros de atividade maliciosa da região. Só no primeiro semestre de 2025, foram registrados mais de 7,1 bilhões de ataques cibernéticos, um número impressionante que bate recordes anteriores do país.

De acordo com Juliana Roman, líder da Rotate LATAM, a situação se agrava porque a digitalização está ocorrendo sem que haja uma proteção equivalente. Ela afirma que “a América Latina se tornou a região mais atacada do mundo por cibercriminosos”. Para ela, a falta de ação dos governos e das empresas em tratar a cibersegurança como um problema regional agrava a situação.

### Crescimento Explosivo dos Ataques

Os dados mostram um padrão crescente de criminalidade digital. Neste ano, as empresas na América Latina estão enfrentando quase 3 mil tentativas de invasão por semana, com Brasil, México, Colômbia, Argentina e Chile sendo os mais atacados.

Serge-Olivier Paquette, especialista da Flare, alerta que essa crise já não é local. “Os desafios de cibersegurança se tornaram globais”, diz ele. Com a expansão das empresas, as ameaças se tornaram mais complexas e difíceis de enfrentar, algo que a América Latina está vivendo intensamente.

Entre os tipos de ataques mais comuns estão os sequestros de dados, que fica cada vez mais complicado, com a possibilidade de extorsões em múltiplas etapas. Além disso, temos o phishing, que se torna mais direcionado com a ajuda da automação e da inteligência artificial. Outra preocupação é o uso de spyware, que busca espionagem corporativa e ataques aos governos.

Setores essenciais, como saúde, finanças e energia, enfrentam ataques frequentes e complexos. No segmento industrial, a situação é ainda mais séria, com a América Latina respondendo por 20,4% dos sistemas industriais comprometidos, a maior taxa do mundo.

Paquette acrescenta que um dos motivos para esse aumento é a falta de diagnósticos preventivos. “Muitas regiões com o maior crescimento em ataques não têm clareza sobre suas vulnerabilidades. E a América Latina não é exceção”, diz ele.

### Alto Custo Econômico e Reputacional

O custo do cibercrime na América Latina pode chegar a mais de 3,81 milhões de dólares por incidente. Essa conta inclui pagamentos de resgates, interrupções de operações, perdas de dados e danos à reputação das empresas.

As consequências são especialmente severas para o setor privado: cerca de 60% das empresas que enfrentam um ataque grave não conseguem se recuperar em até seis meses. Isso é crítico principalmente para empresas de médio e grande porte que dependem fortemente da tecnologia.

Daniela Álvarez de Lugo, gerente da Kaspersky para a América do Norte, observa que muitas empresas estão avançando na cibersegurança sem saber realmente quais são suas vulnerabilidades. “Isso gera esforços dispersos e decisões que não atendem sempre às necessidades mais urgentes”, diz. Quando as organizações conseguem identificar seus níveis de exposição, podem organizar prioridades com mais clareza.

Além disso, o setor de cibersegurança enfrenta uma carência de mais de 300 mil profissionais qualificados, o que dificulta a resposta a incidentes cada vez mais sofisticados.

A inteligência artificial também traz desafios. Embora ofereça automação e eficiência, ela pode ser utilizada pelos atacantes. Paquette destaca que os sistemas baseados em IA, hoje muito usados tanto por empresas quanto por criminosos, podem introduzir novos riscos. “Agentes de IA comprometidos e conjuntos de dados contaminados podem acelerar a propagação dos ataques”, alerta o especialista.

Enquanto grandes corporações estão adotando estratégias de Zero Trust e automação em seus Centros de Operações de Segurança (SOC), setores como educação e pequenas empresas ainda estão longe de alcançar níveis básicos de proteção.

Especialistas acreditam que 2025 será um ano decisivo para a cibersegurança na região. Para reduzir a exposição, é necessário cooperação internacional, investimentos contínuos, atualizações regulatórias e treinamento massivo de talentos.

A educação dos usuários finais é um pilar essencial, já que mais de 80% dos incidentes acontecem por erro humano ou configurações inseguras.

Com esses números, fica claro que a América Latina precisa agir rapidamente para inverter a curva de crescimento dos ataques nos próximos meses. A combinação de inovação, cooperação e uma cultura de segurança será fundamental para preservar os avanços digitais que sustentam a economia da região.

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