09/02/2026
@»Medicina Geriátrica Notícias»Cinco passos para fortalecer autoestima e autonomia emocional

Cinco passos para fortalecer autoestima e autonomia emocional

Sair de um relacionamento abusivo pode ser um processo doloroso e complexo, muitas vezes marcado pelo desafio de encontrar uma nova identidade fora daquela relação. Após a separação, o silêncio pode invadir o lar, e muitas mulheres se veem perdidas sem a validação do parceiro. Nesse momento, a tarefa não é apenas deixar a relação abusiva, mas também reconstruir a autoestima e redescobrir quem realmente são.

Uma pesquisa realizada em 2024 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que 37,5% das mulheres no país, ou mais de 21 milhões, relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Entre essas situações, a violência psicológica, que inclui insultos e humilhações, foi uma das formas mais comuns. Essa violência, muitas vezes invisível e normalizada, impacta de maneira profunda a autoestima da mulher e prejudica sua capacidade de se tornar emocionalmente autônoma, traumas que permanecem mesmo após o término da relação.

A terapeuta e advogada especializada em gênero, Mayra Cardozo, explica que o abuso psicológico desestrutura a autoimagem. Durante a relação abusiva, as mulheres frequentemente aprendem a desconfiar de suas emoções e do seu valor. O agressor utiliza táticas de manipulação, como o “gaslighting”, fazendo com que a mulher confunda amor com obediência e afeto com autonegação.

As consequências emocionais desse tipo de abuso são sérias, manifestando-se como confusão mental, sentimento de culpa, medo, ansiedade e até problemas físicos, como insônia e tensões musculares. Mayra observa que, ao romper o vínculo abusivo, muitas mulheres sentem um vazio, pois a autoestima delas foi moldada pela percepção do parceiro. Agora, sem essa validação, elas precisam iniciar o processo de reconstrução da própria identidade.

De acordo com a especialista, essa reconstrução não acontece de forma rápida ou fácil. É um processo que exige tempo, autoconsciência e apoio. O foco não deve ser esquecer o que aconteceu, mas compreender que essas experiências não definem quem elas são, permitindo assim a recuperação da autonomia.

Passos para a Reconstrução da Autoestima

Mayra defende que algumas ações são cruciais para mulheres que estão se recuperando após uma relação abusiva:

  1. Nomeie o que aconteceu e evite se culpar: Reconhecer que viveu uma situação de abuso é um passo importante para romper o silêncio e retomar o controle sobre a própria vida. A culpa não deve ser parte do processo de cura.

  2. Reaprenda a confiar na sua percepção: A manipulação emocional pode abalar a percepção da realidade. Validar as próprias emoções e sentimentos é essencial para restaurar a autoconfiança.

  3. Reconecte-se com seu corpo: Após vivências abusivas, é comum que as mulheres fiquem tensas e alertas. Cuidar da saúde física e mental envolve práticas como caminhar, respirar profundamente, dançar e descansar, ajudando a lembrar que a vida é mais do que apenas sobreviver.

  4. Estabeleça limites: Aprender a dizer “não” é fundamental e deve ser visto como um ato de cuidado pessoal. Limites claros ajudam na construção de uma identidade autônoma.

  5. Crie redes de apoio: A cura não é um processo solitário. Procurar apoio em amigas, terapia ou grupos de suporte é vital. Compartilhar experiências ajuda a reescrever a própria história e a fortalecer a autonomia.

Compreendendo o Abuso Silencioso

O abuso nem sempre é evidente; muitas vezes, ele se disfarça em pequenos gestos e palavras que, isoladamente, parecem inofensivos. Exemplos incluem chantagem emocional, desvalorização das conquistas da parceira, críticas disfarçadas e sobrecarga emocional. Esses comportamentos, embora sutis, contribuem para um ciclo de dependência emocional e controle.

Buscando Ajuda

Mulheres que se reconhecem em situações de abuso emocional devem romper o silêncio e buscar ajuda de pessoas de confiança, como amigas, terapeutas ou advogadas. Existem também redes de apoio, como a Central de Atendimento à Mulher (ligando para o número 180), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e núcleos de gênero em universidades.

É importante evitar confrontar o agressor diretamente, especialmente se houver risco de retaliação. Lembre-se: sair do abuso é apenas o primeiro passo; a verdadeira liberdade vem com o processo de reconstrução pessoal.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →