Colecionador guarda 25 mil cartões telefônicos e revive a era pré-celular em SC
Para muitos, os cartões telefônicos são apenas uma lembrança do passado. Porém, para algumas pessoas, como Juliano Joner, de Chapecó, no Oeste catarinense, esses cartões são uma verdadeira paixão. Ele coleciona cerca de 25 mil dessas peças que contam a história de um tempo em que fazer uma ligação era bem mais trabalhoso.
A paixão por colecionar
Juliano começou sua coleção quando tinha apenas 11 anos. Naquela época, os cartões muitas vezes eram deixados para trás. As pessoas não viam valor nisso e simplesmente os descartavam. Mas, para ele, cada cartão era uma oportunidade de guardar um pedacinho da história.
“Eu encontrava cartões nos orelhões, no chão, porque as pessoas não se importavam mais com eles. Comecei a guardar, e desde então não parei”, lembrou Juliano. Essa busca pelo que outros desprezavam se tornou um hobby emocionante e valioso.
Atualmente, o acervo de Juliano inclui cartões repetidos e únicos. Ele possui cerca de 25 mil cartões que refletem hábitos e costumes de diferentes épocas. “Cada cartão é mais do que créditos. Ele guarda um pedaço da nossa história”, explicou.
Raridades que marcam época
Entre os muitos cartões, alguns são mais raros e especiais. Um exemplo é um cartão internacional de 800 unidades, fabricado nos anos 1990. Naquela época, fazer chamadas para o exterior era caro e complicado.
“Esse cartão era usado para ligações internacionais. Celular? Isso era só para executivos ricos! Hoje, ele já tem mais de trinta anos”, detalhou Juliano. Ele destaca como esses cartões são mais do que simples peças de papel, são relíquias de um passado muitas vezes esquecido.
Valor sentimental
Para Juliano, o valor de sua coleção não está no lado financeiro, mas nas lembranças que cada cartão proporciona. “Não tenho um cartão favorito. O amor é pela coleção inteira. A gente se apega ao todo, não a apenas uma peça”, contou. Esse apego é muito mais sobre as histórias que cada cartão traz à memória.
Ele se recorda de que, no começo da vida profissional, chegou a gastar quase um terço do salário em cartões raros. Foi um investimento que marcou seu trajeto como colecionador. Essa paixão o acompanhou ao longo dos anos.
Tecnologia e nostalgia
Com a modernização e o avanço da tecnologia, os cartões telefônicos foram perdendo seu espaço. Para Juliano, isso traz uma mistura de sentimentos. Ele sente orgulho por preservar essa memória, mas também tristeza ao pensar que esses objetos não têm mais um futuro prático.
“Hoje, tudo ficou fácil com a internet, mas a busca, a troca, a negociação tudo isso era a verdadeira emoção de colecionar”, refletiu. Ele sabe que os cartões não voltarão a ser utilizados no dia a dia, mas continua guardando cada um como um símbolo de conexão com o passado.
Esses pedaços de papel representam como era a comunicação antes da era digital. A forma como as pessoas se conectavam exigia tempo, planejamento e às vezes até esperas em filas. Era um ritual que muitos esquecem.
Preservando a memória
O trabalho de Juliano vai além de apenas acumular cartões. Ele busca entender a história por trás de cada um deles. Para ele, cada cartão é uma peça de um quebra-cabeça maior que revela hábitos de consumo, campanhas publicitárias e eventos históricos.
Ele acredita que é importante que as novas gerações conheçam essa parte da história. Juliano frequentemente compartilha sua coleção com amigos, em feiras e eventos, criando laços e despertando interesse em outras pessoas. Isso ajuda a manter essa memória viva e a mostrar como a comunicação evoluiu.
Conclusão
Juliano Joner é o exemplo de um verdadeiro guardião da memória. Com 25 mil cartões, ele não só revive a era pré-celular, mas também ensina os mais novos sobre como a comunicação já foi. Seus cartões telefônicos, que muitos considerariam simples lixo, se tornaram um legado.
Para ele, cada cartão tem sua história e seu valor. Collecting items that were once commonly used and now forgotten é uma maneira de preservar um passado que, de outra forma, poderia ser perdido. A nostalgia que ele sente não é apenas por um tempo que passou, mas pela essência da comunicação que uma vez ligou pessoas em todo o país, antes da era digital. Juliano continua a coletar, guardando não apenas cartões, mas também memórias e histórias que vivenciaram cada ligação.