05/02/2026
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Como o cérebro interpreta sarcasmo, tom e significados ocultos

Resumo: Um estudo com 800 adultos revelou que as habilidades de linguagem pragmática—entender sarcasmo, pedidos indiretos, tom e significados não literais—se organizam em três grupos diferentes. Esses grupos dependem do conhecimento de regras sociais, do funcionamento do mundo físico e da sensibilidade ao tom de fala.

Os participantes tiveram desempenhos semelhantes nas tarefas de cada grupo, mostrando que há mecanismos comuns no cérebro para interpretar significados que vão além das palavras. As descobertas criam uma nova forma de estudar as diferenças na comunicação, incluindo variações entre culturas e em populações neurodivergentes.

Fatos Principais:

  • Três Sistemas Fundamentais: As habilidades pragmáticas se dividem em inferências sociais, raciocínio sobre o mundo físico e significados baseados no tom.

  • O Contexto Muda a Interpretação: Frases idênticas podem ter significados diferentes dependendo do tom, momento e ambiente.

  • Amplas Aplicações: Esse novo modelo pode ajudar a entender desafios de comunicação em pessoas autistas e as diferenças culturais na fala indireta.

A Importância do Contexto:

Na conversa do dia a dia, não basta entender as palavras; é preciso captar o contexto. Por exemplo, se está chovendo muito e alguém diz que o “clima está maravilhoso”, você percebe que a pessoa está sendo sarcástica.

Saber interpretar o que alguém realmente quer dizer quando as palavras não fazem sentido é uma habilidade chamada de capacidade de linguagem pragmática. Isso inclui entender sarcasmo, metáforas e até aquelas mentirinhas brancas que a gente conta de vez em quando.

Evelina Fedorenko, professora do MIT, explica que “pragmática é tentar adivinhar por que alguém disse algo e qual é a mensagem que a pessoa quer passar, considerando o jeito que foi dito”.

Recentemente, Fedorenko e seu time descobriram que essas habilidades podem ser agrupadas de acordo com os tipos de inferências que exigem. Em um estudo com 800 pessoas, os pesquisadores identificaram três grupos de habilidades pragmáticas que dependem de inferências semelhantes e podem ter processos neurais parecidos.

Um grupo é baseado nos nossos conhecimentos sobre normas e regras sociais. Outro se baseia em como o mundo físico funciona, enquanto o último depende de interpretar diferenças no tom de voz, que podem indicar ênfase ou emoção.

A Relevância do Contexto:

Pesquisas anteriores focavam muito nas palavras e seus significados literais. Para entender realmente o que alguém está dizendo, temos que interpretar essas palavras levando em conta o contexto geral.

“O que falamos é sobre passar significados, e isso muitas vezes precisa considerar várias informações, como o contexto social e o tema da conversa”, explica Fedorenko.

Por exemplo, a frase “as pessoas estão indo embora” pode significar coisas diferentes. Se alguém pergunta sobre uma festa à noite, e você responde “as pessoas estão indo embora”, isso pode indicar que a festa está acabando. Mas, se é cedo e você diz “as pessoas estão indo embora”, isso pode indicar que a festa não está boa.

“Quando você pronuncia uma frase, ela tem um significado literal, mas como você interpreta isso depende do contexto”, acrescenta Gibson.

Pesquisa em Ação:

Há cerca de 10 anos, com o apoio do Simons Center for the Social Brain do MIT, Fedorenko e Gibson decidiram explorar se era possível distinguir com precisão os tipos de processamento envolvidos nas habilidades de linguagem pragmática.

Uma maneira que neurocientistas usam para esse tipo de pesquisa é por meio de imagens de ressonância magnética funcional (fMRI), que mostram a atividade cerebral. Contudo, as tarefas que criaram não eram fáceis de serem feitas enquanto os participantes estavam sendo escaneados. Assim, optaram por uma abordagem diferente.

Esse método, conhecido como “diferenças individuais”, envolve estudar muitas pessoas realizando diversas tarefas. Isso ajuda a descobrir se os mesmos processos cerebrais estão ativos em diferentes situações.

Os pesquisadores avaliaram se cada participante performava de maneira similar em grupos de tarefas. Por exemplo, algumas pessoas podem se sair bem em tarefas que exigem entender normas sociais, como interpretar pedidos indiretos e ironias.

O primeiro grupo de tarefas foi conduzido por Jouravlev, que coletou muitas tarefas necessárias para a avaliação pragmática, totalizando 20. Essas tarefas incluíam entender humor, sarcasmo e como a entonação pode mudar o sentido de uma frase.

Por exemplo, se alguém diz: “Eu queria meias azuis e pretas”, enfatizando “pretas”, a pessoa está sugerindo que as meias pretas não chegaram.

Componentes da Habilidade Pragmática:

Os pesquisadores recrutaram participantes de uma plataforma online para concluir as tarefas, que levaram cerca de oito horas. Do primeiro grupo de 400 participantes, descobriram que as tarefas formaram três grupos relacionados ao contexto social, conhecimento geral do mundo e entonação.

Para garantir a robustez dos dados, continuaram a pesquisa com outro grupo de 400 participantes. Os resultados confirmaram que as tarefas se agruparam da mesma forma e mostraram que diferenças de inteligência geral ou de habilidade auditiva não afetaram os resultados.

Nos próximos estudos, os pesquisadores esperam utilizar imagens do cérebro para analisar se os componentes pragmáticos estão relacionados a áreas cerebrais específicas. Pesquisas anteriores mostraram que a imagem pode refletir as diferenças identificadas nos estudos de variação individual.

Esse conjunto de testes também pode ser usado para estudar pessoas autistas, que às vezes têm dificuldades em entender sinais sociais. Estudos relacionados podem ajudar a entender de forma mais clara a natureza e a extensão desses desafios.

Outra possibilidade é estudar pessoas de culturas diferentes, que podem ter normas variadas sobre falar de maneira direta ou indireta. Por exemplo, em russo, que é a língua nativa de Jouravlev, as pessoas são mais diretas. Assim, pode haver diferenças na forma como falantes de russo interpretam pedidos indiretos em comparação aos falantes de inglês.

Perguntas Frequentes:

  • Q: O que são habilidades de linguagem pragmática?
    A: Elas incluem entender sarcasmo, pedidos indiretos, metáforas e qualquer significado que depende do contexto, em vez de uma interpretação literal.

  • Q: Por que as habilidades se agruparam em três categorias?
    A: Porque cada uma delas se baseia em sistemas de inferência diferentes: normas sociais, conhecimento do mundo ou interpretação de tom e ênfase.

  • Q: Como esse novo modelo pode ser utilizado?
    A: Ele fornece uma maneira estruturada de estudar as diferenças de comunicação tanto em indivíduos neurotípicos quanto neurodivergentes, além de explorar normas de conversa em diferentes culturas.

Esse estudo é um passo importante para entender melhor como comunicamos e interpretamos os significados nas interações diárias. Sabe-se que as nuances da linguagem são complexas, mas essa pesquisa ajuda a descomplicar essas relações.

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