Propostas para Integrar Tecnologia à Saúde Ocupacional são Apresentadas em Congresso de Medicina do Trabalho
Nos dias 1 a 4 de outubro de 2025, o Congresso da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) ocorreu em Goiânia (GO). Durante o evento, especialistas, médicos e representantes do setor empresarial discutiram o papel da inteligência artificial (IA) na saúde e segurança do trabalho (SST). O painel, organizado pela Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional (AGSSO), destacou desafios, riscos e oportunidades trazidos pela transformação digital no setor.
A AGSSO, criada em 2014, representa empresas de saúde ocupacional no país, promovendo boas práticas e participando da Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), que assessora a revisão das Normas Regulamentadoras (NRs).
A situação atual da saúde e segurança no trabalho no país foi abordada de maneira preocupante. O diagnóstico aponta que o Brasil ainda está em estágios iniciais de digitalização na SST. Os principais problemas identificados incluem a alta taxa de subnotificação de acidentes, a realização de exames ocupacionais sem critérios adequados, processos manuais que não se comunicam e o subaproveitamento dos dados que já foram coletados.
Uma participante compartilhou sua experiência ao realizar um exame ocupacional, narrando a longa espera e o atendimento inadequado. Ela relatou que esperou cerca de três horas para ser atendida, passando por um processo que a deixou insatisfeita e sem a devida documentação do exame.
Apesar dos desafios, os especialistas enfatizaram a importância da adoção de tecnologias preditivas, como prontuários eletrônicos e sistemas de gestão digital, que já estão sendo implementados em várias empresas. A IA é descrita como uma ferramenta que pode melhorar a SST, convertendo dados em informações úteis e prevendo riscos.
Antonio Martin, presidente da AGSSO, afirmou que o Brasil enfrenta desafios significativos na transformação digital da SST. O Dr. Paulo Zaia, médico do trabalho, acrescentou que a IA pode oferecer insights valiosos, transformando a gestão de saúde ocupacional e capacitando as equipes.
Entretanto, foram destacados alguns riscos dessa implementação. É necessário ter cuidado com viés algorítmico, que pode levar a discriminação, bem como a vulnerabilidade de dados médicos, que, se vazados, podem causar sérios danos. Além disso, o monitoramento excessivo pode gerar estresse entre os trabalhadores.
Para lidar com esses desafios, o país precisa de normas técnicas claras, ambientes de teste para tecnologias novas e diretrizes integradas entre órgãos reguladores relevantes.
O painel também mencionou exemplos internacionais do uso responsável da IA, como a detecção em tempo real de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) nos EUA e o uso de sensores ambientais na China. Inspirada em experiências bem-sucedidas, a AGSSO propôs a criação de um Sandbox Regulatório para SST. Esse ambiente controlado permitirá testar e validar tecnologias de forma segura.
A proposta para o Sandbox busca equilibrar inovação e responsabilidade, garantindo que a tecnologia sirva tanto à saúde quanto à dignidade dos trabalhadores. Os objetivos incluem a realização de testes supervisionados, monitoramento técnico por comitês e a certificação de sistemas de IA com critérios éticos e técnicos.
O objetivo é promover um ambiente seguro e eficaz para a implementação de novas tecnologias na saúde ocupacional, priorizando a segurança e o bem-estar dos trabalhadores.