Em resposta à crise na Venezuela, o Ministério da Saúde do país decidiu enviar uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para Roraima, um estado que faz fronteira com a Venezuela. A missão da equipe é avaliar as condições de saúde na região, verificando a disponibilidade de profissionais, vacinas e outros insumos essenciais para atender à população.
Conforme informações do ministério, a equipe elaborará um plano de contingência para garantir que o SUS esteja preparado para atender a um possível aumento na demanda por serviços de saúde, especialmente devido ao número crescente de migrantes na fronteira. Essa situação se tornou ainda mais urgente após um ataque realizado pelo governo dos Estados Unidos no último sábado (3).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que, se necessário, serão instalados hospitais de campanha na região para atender a demanda crescente. Ele destacou a experiência da equipe em situações de emergência e a importância de identificar possíveis estruturas hospitalares que possam ser ampliadas para minimizar os impactos nos serviços de saúde públicos.
Além disso, o Ministério da Saúde se propôs a colaborar com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para fornecer ajuda humanitária à região, incluindo medicamentos e insumos necessários para casos de diálise. Um dos principais centros de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, foi danificado durante o ataque, o que agrava ainda mais a situação na área.
No último sábado, explosões foram ouvidas em várias partes de Caracas, a capital venezuelana, durante a operação militar dos Estados Unidos. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, foram detidos por forças norte-americanas e levados para Nova York. Essa ação faz parte de um contexto de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina, relembrando a invasão militar que ocorreu no Panamá em 1989, quando o presidente Manuel Noriega foi capturado.
Os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel chamado “Los Soles”, embora não tenham apresentado provas concretas. Durante o governo de Donald Trump, uma recompensa de US$ 50 milhões foi oferecida por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.
Críticos dessa intervenção afirmam que a operação tem interesses geopolíticos por trás, buscando distanciar a Venezuela de seus aliados, como a China e a Rússia, e ampliar a influência dos Estados Unidos sobre o petróleo venezuelano, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo.