19/03/2026
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Cresce uso de vape e cigarros eletrônicos entre jovens no Nordeste

Trabalhadores que fumam têm maior probabilidade de faltar ao trabalho devido a problemas de saúde em comparação com aqueles que não fumam. Uma pesquisa recente revelou que os fumantes têm entre 30% e 33% mais risco de ausência, acumulando cerca de três dias a mais de faltas por ano. Esses dados foram apresentados em uma meta-análise de saúde ocupacional, destacando a importância do tema.

Recentemente, o perfil do tabagismo no país tem mudado. Após anos de redução contínua, o Ministério da Saúde observou um aumento no número de fumantes, especialmente entre os jovens. Essa tendência coincide com a popularização de cigarros eletrônicos e vapes, o que tem gerado preocupação entre especialistas.

Apesar da proibição da venda de cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009, esses produtos continuam a ser comercializados, especialmente entre o público jovem. O médico pneumologista Ernando Sousa destaca que o marketing digital, sabores atrativos e a associação dos dispositivos eletrônicos com status social estão impulsionando seu consumo. Embora o país tenha desenvolvido políticas eficazes de combate ao tabagismo, o crescimento desses novos dispositivos representa um desafio.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 8,7% dos adolescentes de 14 a 17 anos relataram ter usado cigarros eletrônicos no último ano, índice que supera o uso de cigarros tradicionais entre essa faixa etária. Entre os jovens adultos, a pesquisa Vigitel 2023 mostrou que cerca de 6,1% os utilizam atualmente, estabelecendo o vape como a principal porta de entrada para a nicotina nesta geração.

Os efeitos do uso de cigarros eletrônicos já são visíveis. Estudos mostram que eles estão associados a dependência de nicotina, problemas nas vias respiratórias, agravamento da asma, riscos cardiovasculares e danos nos pulmões a médio e longo prazo.

No Nordeste, a situação é alarmante. Um estudo realizado com universitários da Universidade de Fortaleza revelou que 24% dos alunos utilizam cigarros eletrônicos, muitos de forma regular. Para muitos, o vape foi a primeira experiência com produtos de nicotina, mesmo sem um histórico de tabagismo.

Ernando Sousa afirma que essa situação representa uma quebra no histórico controle do tabagismo no país, evidenciando uma nova geração iniciando o uso de nicotina através de dispositivos eletrônicos. Ele enfatiza a necessidade urgente de tratar o cigarro eletrônico como um problema de saúde pública.

Para enfrentar esse desafio, Sousa sugere que o debate sobre o tema deve incluir as escolas, onde muitas vezes ocorre o primeiro contato dos jovens com esses produtos. Ele ressalta a importância de conscientizar desde cedo e preparar profissionais da educação e da saúde para lidar com o aumento do consumo entre os jovens, adaptando as abordagens e as técnicas de conscientização.

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