06/02/2026
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Crise climática é um desafio de saúde pública, afirma ministro

Instituições filantrópicas globais anunciaram a doação de 300 milhões de dólares para acelerar soluções em saúde e mudanças climáticas em uma cerimônia realizada ontem. Essa ação, promovida pela Coalizão para o Clima e o Bem-Estar da Saúde, aconteceu durante o lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, que foi apresentado no Dia da Saúde da COP30.

Este plano, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é o primeiro documento internacional dedicado exclusivamente à adaptação dos sistemas de saúde em resposta aos impactos das mudanças climáticas.

Alan Dangour, diretor de Clima e Saúde da Welcome Trust, uma instituição beneficente baseada na Inglaterra que faz parte da coalizão, fez o anúncio da doação. Ele expressou satisfação pela iniciativa, afirmando que o investimento será direcionado a ações integradas que visam combater as causas das mudanças climáticas e suas consequências para a saúde global. Este esforço envolve 35 milhões de pessoas no mundo.

Os recursos arrecadados serão utilizados para desenvolver políticas, pesquisas e inovações focadas em problemas como calor extremo, poluição do ar e doenças infecciosas que são sensíveis às mudanças climáticas.

Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a crise climática deve ser abordada como uma crise de saúde pública. Segundo ele, a colaboração do Brasil nesse esforço internacional reafirma a importância do país na articulação de agendas relacionadas à saúde e clima. Ele enfatizou que é fundamental que cada nação adapte seus sistemas de saúde às novas realidades climáticas, e ressaltou a importância da cooperação internacional e do investimento conjunto para salvar vidas e evitar custos ainda maiores no futuro.

O ministro comentou que a elaboração do plano começou em maio de 2025 na Assembleia Geral da OMS. O Brasil, em parceria com o grupo de Baku, propôs a criação do Dia da Saúde durante essa conferência, bem como o desenvolvimento de um plano global. Ele também mencionou os custos crescentes associados a emergências ambientais, revelando que, em 2024, os desastres climáticos extremos resultaram em perdas de 19,2 bilhões de dólares na América Latina, com o Brasil arcando com dois terços desse montante. Esses recursos, segundo Padilha, poderiam ter sido usados para fortalecer os sistemas de saúde.

O ministro também apresentou dados alarmantes sobre a saúde pública relacionados ao clima. Em 2024, mais de 150 mil mortes foram atribuídas a doenças respiratórias causadas por queimadas, enquanto outras 546 mil estavam ligadas ao calor extremo. Ele alertou que a incidência de doenças infecciosas está aumentando, com a dengue se espalhando para regiões onde antes não havia registros, devido ao aumento das temperaturas.

Padilha citou um exemplo de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, que foi severamente atingida por um ciclone que destruiu a maioria das unidades de saúde da cidade.

O Plano de A ação em Saúde de Belém inclui compromissos de países e instituições em três áreas principais: vigilância integrada, infraestrutura resiliente e cooperação internacional. O objetivo é fortalecer a capacidade dos sistemas de saúde para se anteciparem a crises provocadas pelo clima e protegerem as populações em situação de risco. O ministro concluiu afirmando que esse é um esforço coletivo para preparar os serviços de saúde diante de emergências climáticas.

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