04/02/2026
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Cuidado contínuo requer compromisso constante

A população LGBTQIA+ enfrenta dificuldades significativas ao buscar atendimento de saúde, de acordo com um relatório recente. Muitas pessoas dessa comunidade evitam serviços médicos por medo de agressões, desinformação e falta de cuidado. O documento destaca que os profissionais de saúde muitas vezes não estão preparados para lidar com as necessidades específicas desse grupo, o que agrava ainda mais a situação.

Especialistas ressaltam que a saúde da população LGBTQIA+ deve ser vista como uma jornada contínua. O Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião especializado em coloproctologia e fundador do Núcleo de Acolhimento à Diversidade (NUAD), enfatiza que a atenção à saúde deve ir além de datas comemorativas. Para ele, é crucial garantir um acesso consistente a cuidados especiais e proporcionar um ambiente de escuta e acolhimento ao longo do ano.

Os principais obstáculos enfrentados pelas pessoas LGBTQIA+ incluem preconceitos institucionais, falta de formação adequada nas equipes de saúde, uso de linguagem inadequada e negligência no atendimento. Um estudo da Universidade de São Paulo mostrou que 31% dos idosos LGBTQIA+ enfrentam sérias dificuldades no acesso à saúde, em comparação a 18% entre aqueles que não pertencem à comunidade. Além disso, a pesquisa constatou uma maior taxa de depressão entre os idosos LGBTQIA+, que chega a 37%.

O acolhimento adequado é considerado fundamental. A Dra. Isabela Tavares, especialista em saúde vocal, afirma que criar um ambiente seguro para que os pacientes se sintam à vontade para compartilhar suas experiências é essencial. Esse espaço proporciona melhorias não apenas na aparência estética da voz, mas também amplia a autoestima e a saúde mental.

Isabela, junto com a fonoaudióloga Dra. Daniella Gali, busca oferecer um atendimento que leva em conta a identidade de cada paciente. Elas acreditam que a relação entre a voz e a autoestima é intensa. Muitas pessoas trans e não binárias, por exemplo, enfrentam inseguranças relacionadas à sua voz, que podem contribuir para o sofrimento emocional. Assim, um atendimento respeitoso e personalizado é fundamental.

Apesar de avanços nas políticas de saúde, como os ambulatórios especializados e a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, ainda há desafios como falta de infraestrutura, treinamento e recursos. As especialistas afirmam que a verdadeira mudança ocorre quando a diversidade é vista como um valor essencial, não apenas como um diferencial.

O Núcleo de Acolhimento à Diversidade (NUAD) visa restaurar a confiança de pacientes LGBTQIA+ no sistema de saúde. A Dra. Isabela, junto com a endocrinologista Dra. Antonela Siqueira, explica que é importante que todos os profissionais entendam que inclusão é uma competência tanto técnica quanto ética.

Para capacitar a equipe a oferecer um atendimento inclusivo, são realizadas rodas de conversa com pacientes e treinamentos regulares focados em identidade de gênero e orientação sexual. A proposta é tornar o atendimento mais acolhedor e acessível, transformando a visita ao médico em uma experiência cotidiana e menos temida.

O foco no acolhimento especializado é visto como essencial para melhorar a adesão ao tratamento e reduzir o sofrimento psicológico, especialmente em populações que historicamente tiveram suas necessidades de saúde negligenciadas. Dessa forma, os especialistas esperam promover uma saúde verdadeiramente inclusiva e diversificada.

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