05/04/2026
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Cuidar da educação em saúde é essencial para o Brasil

O avanço da saúde pública no país está diretamente ligado à formação dos profissionais da área. A qualidade dos cursos que formam médicos, enfermeiros, biomédicos e outros especialistas é fundamental para o funcionamento eficaz do Sistema Único de Saúde (SUS), que realiza mais de 70% dos atendimentos em todo o território nacional. Essa realidade traz à tona a importância de um compromisso ético e de uma formação acadêmica que responda aos desafios cada vez mais complexos da saúde.

Nos últimos anos, várias universidades têm investido em programas que integram tecnologia e práticas de saúde. Um exemplo é a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que criou um dos maiores centros de simulação realista do país. Esse espaço é utilizado para treinar estudantes em situações clínicas complexas, com o objetivo de reduzir o número de erros durante atendimentos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Simulação na Saúde (ABRASSIM), o uso de simulações na formação de profissionais da saúde tem crescido cerca de 15% ao ano, refletindo a necessidade de preparar equipes para decisões seguras em ambientes de trabalho.

A telemedicina também ganhou destaque, especialmente após a regulamentação permanente trazida pela Lei 14.510/2022. Essa mudança exigiu que as universidades adaptassem seus currículos, preparando os profissionais para realizar atendimentos remotos com eficiência e atenção às questões humanas.

Outro ponto importante é a inclusão da inteligência artificial no processo de ensino e atendimento. Hospitais universitários, como o da USP, estão começando a utilizar sistemas de IA para melhorar diagnósticos e o monitoramento de pacientes. Contudo, essa transformação levanta questões éticas significativas. Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que 73% das instituições de saúde ainda têm dificuldades em se adequar à Lei Geral de Proteção de Dados. Portanto, é essencial que o ensino aborde temas como proteção de dados, responsabilidade no uso de algoritmos e os limites da automação.

Além disso, debates sobre bioética estão se tornando parte integrante da formação na área da saúde. A coleta de grandes volumes de dados clínicos, o uso de sistemas preditivos e a possibilidade de preconceitos algorítmicos podem impactar tanto os pacientes quanto os profissionais. A Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) enfatiza que decisões médicas baseadas exclusivamente em sistemas automatizados podem exacerbar desigualdades e prejudicar a autonomia dos pacientes. Por isso, universidades que incorporam discussões éticas, estudos de casos reais e programas de extensão em comunidades vulneráveis estão formando profissionais mais conscientes do impacto de suas ações.

Iniciativas no ensino superior têm mostrado que é possível conectar formação acadêmica e serviço público de forma eficaz. Clínicas-escola ligadas a universidades em São Paulo, por exemplo, estão ampliando o acesso a serviços especializados, especialmente em áreas como saúde mental e fisioterapia, ajudando a diminuir as filas no SUS. Entre 2019 e 2023, mais de 11 milhões de pessoas foram atendidas por meio de projetos de extensão universitária, destacando o papel das instituições no fortalecimento da saúde pública.

Para garantir um SUS mais robusto, é fundamental que as universidades integrem rigor científico, ética, tecnologia e responsabilidade social. Com o aumento de doenças crônicas, o envelhecimento da população e o impacto das mudanças climáticas, a formação na área da saúde precisa transcender aspectos técnicos. Faculdades que investem em inovação, integração com a comunidade e formação moral estão preparando profissionais para um futuro em que é vital cuidar, gerenciar tecnologias, proteger dados e respeitar as desigualdades sociais. O fortalecimento do sistema público de saúde no país depende dessa união entre educação, ciência e um compromisso humano genuíno.

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