Recentemente, um especialista na área farmacêutica voltou à Europa para discutir a competitividade do setor de saúde durante a Cimeira Europeia da Saúde. Com uma nova perspectiva, baseada em sua experiência global, ele destacou a importância das decisões tomadas hoje para o futuro do desenvolvimento de medicamentos.
Atualmente, muitos pacientes em diversas partes do mundo se beneficiam de medicamentos desenvolvidos a partir de pesquisas realizadas na Europa nos últimos 20 anos. No entanto, o especialista expressou preocupação sobre a capacidade da Europa de continuar promovendo inovações na próxima década e enfatizou que essa continuidade depende de decisões estratégicas sobre investimentos na área.
Ele ressaltou três pontos essenciais para a discussão. Primeiro, os investimentos em saúde não devem ser vistos apenas como despesas, mas como benefícios significativos para indivíduos, sistemas de saúde e sociedade. A saúde melhorada tem impactos positivos diretos na vida das pessoas e na economia, especialmente quando se considera a questão das doenças incapacitantes, como a enxaqueca.
A enxaqueca, por exemplo, é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo, afetando particularmente as mulheres jovens. Os custos econômicos relacionados à doença são elevados e variam entre 35 e 557 bilhões de euros, dependendo do país. O acesso a tratamentos eficazes poderia não apenas melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas também permitir que muitos retornem ao trabalho, impulsionando assim a economia.
No entanto, na Europa, muitos medicamentos novos não são reembolsados ou só são disponibilizados após tentativas de tratamentos anteriores, o que limita o acesso a essas terapias essenciais. O especialista propôs que, numa mudança de perspectiva, a Europa invista em saúde não apenas para tratar doenças, mas também para melhorar a produtividade e liberar o potencial de sua força de trabalho.
O segundo ponto abordado foi a geopolitica da inovação. Nos últimos anos, a China emergiu como o segundo maior desenvolvedor de medicamentos do mundo. Projeções indicam que, em breve, o país pode liderar o desenvolvimento de terapias importantes, como os anticorpos, especialmente promissores no tratamento do câncer. O continente europeu, que outrora liderava em ensaios clínicos nesta área, viu sua participação cair significativamente, o que pode resultar em perda de empregos e diminuição da vitalidade do setor biotecnológico europeu.
Por fim, o especialista ressaltou a importância de fazer escolhas que reflitam o valor dos medicamentos para a sociedade. Isso implica repensar medidas de contenção de custos, como controles de preços e reembolsos, que podem impedir empresas de investir em pesquisa e desenvolvimento. Entre 2012 e 2023, por exemplo, tais medidas resultaram em uma perda significativa de receitas para os fabricantes na Europa.
Ao adotar uma abordagem de investimento a longo prazo na saúde e nos medicamentos, a Europa não só poderá impulsionar sua competitividade no cenário global, mas também oferecer esperança a milhões de pacientes que enfrentam problemas de saúde.