A segurança alimentar e nutricional no Brasil e os desafios para seus avanços até 2122 foram abordados na apresentação da secretária-adjunta de Saúde de Mato Grosso do Sul, Crhistinne Maymone, ocorrida nesta quarta-feira (26), durante a 11ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), em Brasília. O evento contou com a participação de gestores e especialistas da área de saúde de todo o país.
Na sua apresentação, intitulada “O cenário brasileiro atual e as perspectivas para o alcance da segurança alimentar e nutricional até o ano de 2122”, Crhistinne compartilhou os resultados de sua pesquisa de pós-doutorado realizada no Grupo de Pesquisa Nutrição e Pobreza do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). O estudo analisou o conhecimento, as práticas e os desafios enfrentados por gestores de saúde a níveis estadual e municipal, além de conselheiros envolvidos com a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN).
Intersetorialidade: Um Desafio a Ser Superado
Os dados apresentados mostraram que, embora os gestores reconheçam a intersetorialidade como um princípio essencial para a SAN, a implementação prática ainda é insuficiente. As políticas públicas, como a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN), o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), são conhecidas, mas não têm prioridade no planejamento do setor de saúde, que ainda se concentra em ações assistenciais.
Além disso, o estudo destacou a falta de iniciativa em incorporar estratégias de promoção e prevenção de saúde, especialmente no combate a doenças crônicas e carências nutricionais. Isso reforça a necessidade de uma abordagem integrada que una saúde, educação, assistência social e agricultura para desenvolver políticas públicas mais efetivas.
Capacitação e Necessidade de uma Agenda Estratégica
Na apresentação, Crhistinne enfatizou a importância de capacitar gestores e trabalhadores da saúde sobre temas relacionados à SAN e ao Direito Humano à Alimentação Adequada. Segundo ela, a melhoria na formação pode otimizar o uso das informações disponíveis e aperfeiçoar a tomada de decisões. “A pesquisa indica que temos conhecimento, mas precisamos transformá-lo em ações concretas. A segurança alimentar e nutricional requer um planejamento integrado e uma agenda estratégica sólida. A saúde é vital na articulação das políticas para enfrentar a fome, a desnutrição e a obesidade, que são questões complexas no sistema alimentar do país”, afirmou Maymone.
Guias e Apoio para os Gestores
Ao término de sua apresentação, a secretária adjunta lançou um e-book intitulado “Políticas, Programas e Ações para a Segurança Alimentar e Nutricional no Setor Saúde: um guia para gestores”. O material, desenvolvido em parceria com pesquisadoras da USP, inclui conceitos essenciais, exemplos de políticas públicas, aspectos do Direito Humano à Alimentação Adequada e referências úteis para gestores. O e-book está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.