09/02/2026
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Detox de uma semana das redes sociais melhora a saúde, aponta estudo

Um estudo recente indicado que fazer uma pausa no uso de mídias sociais por uma semana pode reduzir sintomas de ansiedade, depressão e insônia em jovens adultos. A pesquisa acompanhou 295 jovens, com idades entre 18 e 24 anos, que decidiram ficar longe de plataformas como Facebook, Instagram e TikTok. Os participantes conseguiram reduzir seu tempo de uso de quase duas horas diárias para cerca de meia hora.

Antes e depois da pausa, os participantes responderam a questionários que avaliavam níveis de ansiedade, depressão, insônia, solidão e comportamentos relacionados ao uso de mídias sociais. Os resultados mostraram uma melhora significativa: a ansiedade diminuiu em média 16,1%, a depressão caiu 24,8% e a insônia teve uma redução de 14,5%. As melhorias foram ainda mais evidentes entre aqueles que apresentavam sintomas de depressão mais graves. Entretanto, os níveis de solidão não sofreram alterações, o que pode ser uma indicação de que as redes sociais também desempenham um papel social positivo.

O professor John Torous, especialista em psiquiatria da Escola de Medicina de Harvard e coautor do estudo, ressaltou que a redução do uso de mídias sociais não deve ser considerada um tratamento principal, mas pode ser um complemento útil para aqueles que já estão em tratamento. Ele sugeriu que, para quem lida com problemas de saúde mental, experimentar uma pausa nas redes sociais pode ser benéfico.

Torous também alertou que os resultados devem ser interpretados com cautela. Ele destacou que os participantes escolheram se voluntariar para a pesquisa e, em geral, apresentavam apenas sintomas leves de problemas de saúde mental antes do estudo. Além disso, ele observou uma grande variação nas respostas dos indivíduos: enquanto alguns se beneficiaram, outros não apresentaram melhorias significativas.

O estudo foi motivado pelo interesse de Torous em entender como a redução no uso de mídias sociais poderia afetar a saúde mental, especialmente porque muitos de seus pacientes universitários relataram sentir-se melhor após fazer pausas. Para a pesquisa, a equipe utilizou uma abordagem chamada “fenotipagem digital”, que coleta dados em tempo real sobre os comportamentos dos participantes por meio de dispositivos.

Durante o período de desintoxicação, os jovens foram incentivados a parar de usar as principais redes sociais, e conseguiram evitar o Facebook e o Twitter, mas tiveram mais dificuldade com plataformas como Instagram e TikTok. Curiosamente, durante a pausa, os participantes passaram um pouco mais de tempo em seus telefones, o que indica que o benefício para a saúde mental pode ter vindo de evitar comportamentos problemáticos relacionados ao uso das redes, como vícios e comparações sociais negativas.

Esses achados surgem em meio a um debate sobre os efeitos do uso excessivo de tecnologias na saúde mental. Alguns especialistas destacam que o smartphone é um fator que contribui para a deterioração da saúde mental entre os jovens, levando algumas comunidades a limitarem o uso de redes sociais, especialmente em instituições de ensino. Outros pesquisadores, no entanto, pedem cautela, argumentando que é mais importante considerar como os jovens interagem online do que apenas a quantidade de tempo que passam nas redes sociais.

Por outro lado, críticos do estudo apontaram que o design da pesquisa pode ter introduzido viés, já que os participantes optaram por interromper o uso das redes, podendo ter expectativas de melhoria. Sem um grupo de controle que mantivesse os hábitos normais, a análise dos resultados pode não ser totalmente confiável.

Apesar das ressalvas, o estudo gerou um debate animado entre especialistas sobre a necessidade de limites ao uso de mídias sociais. Alguns, como a professora Jean Twenge, acreditam que os dados fortalecem a ideia de que reduzir o uso de mídias sociais pode ajudar aqueles que sofrem de problemas emocionais. Para Twenge, as melhorias observadas em pessoas já deprimidas sugerem que a pausa nas redes pode servir como um tratamento eficaz. Contudo, mais pesquisas são necessárias para entender se os efeitos são duradouros e como manter um uso equilibrado das mídias sociais.

Acadêmicos e especialistas compartilham a opinião de que uma abordagem cautelosa e informada é necessária para lidar com o impacto das mídias sociais na saúde mental, buscando soluções que podem ajudar os jovens a se sentirem melhor sem medidas drásticas.

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